sábado, 28 de março de 2026

Edição nº 813

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 813 – 29 de março de 2026

 

2º Domingo da Paixão
Domingo de Ramos
roxo – 1ª classe


É o domingo que precede à festa da Páscoa e dá início à Semana Santa. Domingo de Ramos, Domingo das Palmas, Páscoa florida, assim chamado porque antes da Missa principal se realiza a bênção dos Ramos com a procissão.

Desta bênção e desta procissão, já encontramos vestígios claros no século V.

Se deveras queremos compreender a liturgia deste domingo, cumpre colocarmo-nos bem no meio do cenário onde se vai desenrolar o doloroso drama, e, para que possamos atingir esse objetivo, útil será recordarmos os acontecimentos dos últimos dias da vida do Divino Salvador aqui na terra.

Jesus, à frente de uma romaria, vai de Jericó a Betânia, onde se hospeda com seus amigos Lázaro, Maria e Marta, que, para O homenagearem, dão um banquete. É nessa ocasião que Maria unge com arômatas a cabeça de Jesus.   Indignado com esse desperdício Judas rompe com seu Mestre. Muita gente vem a Betânia para ver a Jesus e a Lázaro ressuscitado. Com estas multidões parte Jesus no dia seguinte em direção a Jerusalém, passando pelo monte das Oliveiras. Festiva é a sua entrada, como narra o Evangelho. O povo aclama o Messias.   Honras dignas de um Rei são-Lhe tributadas, enquanto os fariseus cada vez mais se enraivecem. Contemplando a cidade, Jesus chora, lastimando lhe a infidelidade e a sorte triste que a espera. Entra solenemente no templo, mas nessa mesma tarde regressa a Betânia. Esses, os principais fatos históricos em que se firma a liturgia deste domingo, que consta de duas partes bem distintas:

1ª Bênção e procissão dos Ramos – Alegre e triunfal. Porque nela aclamamos o Cristo, Rei e Vencedor.

2ª A Santa Missa – Profundamente triste. Porque nela contemplamos o Homem das dores.

 

«Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei vem a ti, cheio de mansidão,
montado sobre uma jumenta e um jumentinho, filho da que leva o jugo.»

sábado, 21 de março de 2026

Edição nº 812

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 812 – 22 de março de 2026

 

1º Domingo da Paixão
roxo – 1ª classe

 

No lugar em que S. Pedro seguiu o exemplo de seu Mestre, morrendo na cruz, quer também a Igreja associar-se à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Medianeiro entre Deus e os homens, inocente Ele mesmo e sem mancha, se oferece como Sacrifício de expiação pelos homens (Epístola).  Nestas palavras está expresso o sentido da Missa de hoje, pois nela Jesus repete o mesmo Sacrifício (Communio). Enquanto os judeus blasfemam contra o Senhor, nós dizemos: «Senhor, eu Vos louvarei». E à palavra de Jesus: «Se alguém guarda a minha palavra não verá a morte para sempre», nós respondemos: Beneficiai vosso servo, para que viva e observe os vossos preceitos.

 

«Em verdade, em verdade, eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu sou.» Ev.

sábado, 14 de março de 2026

Edição nº 811

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 811 – 15 de março de 2026

 

4º Domingo da Quaresma

Domingo Lætáre
róseo ou roxo – 1ª classe

 

Na antiguidade cristã, o dia de hoje era o «dia das rosas». Os Cristãos se presenteavam mutuamente com as primeiras rosas do verão. Ainda hoje o Santo Padre benze, neste dia, uma rosa de ouro e a oferece a uma pessoa em sinal de particular atenção. A santa Igreja, como o faz no Advento, interrompe também na Quaresma a sua penitência. Demonstra alegria pelo toque do órgão, pelo enfeite dos altares e pelo róseo dos paramentos. Toda a Missa respira alegria e júbilo. E por que assim? Lembremo-nos que antigamente, faziam os catecúmenos, neste dia, um juramento solene e eram recebidos no seio da Igreja, representada pela igreja da «Santa Cruz em Jerusalém». Mãe dedicada e amorosa, alegra-se a santa Igreja, ao receber os que serão lavados nas águas batismais (Intróito, Epístola). E não menos se alegram os próprios catecúmenos (Gradual, Ofertório e Communio). A maravilhosa multiplicação dos pães, que se repete na santa Missa, nos garante a todos nós, a glória futura. Louvemos e agradeçamos a bondade de Deus (Ofertório).

 

«mas que é isto para tanta gente?» Ev.

sábado, 7 de março de 2026

Edição nº 810

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 810 – 8 de março de 2026

 

3º Domingo da Quaresma
roxo – 1ª classe

 

Sete vezes eram os catecúmenos submetidos outrora a exames sobre os conhecimentos que tinham da doutrina e sobre a sua conduta moral. Com o dia de hoje, começava a primeira semana destes «escrutínios», feitos ordinariamente às quartas-feiras e aos sábados. Na mesma ocasião eram-lhes feitas salutares admoestações, rezando-se sobre eles os exorcismos para expulsar o demônio (Evangelho).

Hoje os catecúmenos são apresentados a S. Lourenço, seu padroeiro. Com eles, também nós nos preparamos para receber uma vida nova. Não esqueçamos que, devendo andar como filhos da luz, ao que nos exorta a Epístola, temos que lutar contra o espírito das trevas.  E só com Jesus Cristo venceremos, pois Ele é a Luz do mundo, que ilumina a todos os homens.  Só Ele podia vencer o espírito das trevas (Evangelho). Nos Cânticos e na Oração, elevamos a nossa alma ao Pai das luzes, que estenderá a Destra de sua Majestade para nos defender. Reunidos na igreja em que assistimos ao Santo Sacrifício, temos diante de nós o exemplo do santo mártir Lourenço, que, como poucos, soube dominar o espírito das trevas. Por sua intercessão seremos purificados de nossos delitos (Secreta), para a celebração do santo Mistério na terra, e para a participação em uma gloriosa Ressurreição.

«Naquele tempo, expulsou Jesus a um demônio, e este era mudo.» Ev.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Edição nº 809

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 808 – 1 de março de 2026

 

2º Domingo da Quaresma
roxo – 1ª classe

 

Como no IV Domingo do Advento, dia que se segue às ordenações do Sábado das Têmporas, assim também neste domingo não havia outrora Missa própria. Mais tarde, conferindo-se as Ordens no sábado pela manhã, foram compostas Missas dos formulários das Têmporas, para estes domingos. Os textos, escolhidos para os ordenandos, se dirigem também a nós.

Eis o dia da salvação. É a ideia predominante em toda a Quaresma. Se, em outros tempos, por vezes a esquecemos, importa ao menos aproveitar este santo tempo para trabalhar em nossa salvação.  E de que modo? Vivendo uma vida agradável a Deus, pois é vontade de Deus que a nossa santificação seja o caminho para a salvação (Epístola). Anima-nos a transfiguração do Cristo, que é um modelo da nossa. As palavras do Evangelho: Escutai-O, respondamos no Ofertório, dispondo-nos a meditar a lei de Deus para conhecer a sua vontade. As Orações e os Cânticos, embora testemunhem as ânsias e tribulações em que se encontra a nossa alma, demonstram, contudo, uma confiança filial no auxílio de Deus.


«E transfigurou-se diante deles» Ev.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Edição nº 808

 «Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 808 – 22 de fevereiro de 2026

 

1º Domingo da Quaresma
roxo – 1ª classe


Na basílica do SSmo. Salvador são iniciados os jejuns quaresmais, pois neste dia começava outrora a Quaresma (Secreta). É um dos dias mais importantes do Ano eclesiástico.

Com os catecúmenos reunimo-nos nesta igreja, na qual 40 dias depois receberemos a comunicação da vida divina. Para renovarmos em nós esta vida, ouvimos na Missa de hoje salutares ensinamentos.

No domingo da Quinquagésima, predisse Jesus a sua paixão. Aproximando-se de Jerusalém, Tomé convida os outros Apóstolos: Vamos e morramos com Ele. Este convite também nos é dirigido. Morrer ao velho homem é a tarefa de toda a nossa vida, e mais especialmente devemos procurar fazê-lo durante a Quaresma.

Morrer a nós mesmos é vencer o mal que está em nós e o que nos vem de fora. As Leituras, Epístola e Evangelho, nos ensinam que a mortificação e a abstinência são meios poderosíssimos para alcançarmos a vitória. Sendo difícil a tarefa, pedimos o auxílio de Deus (Oração). E que confiamos nesse auxílio, nós o atestamos, fazendo nossas as palavras do Intróito, Gradual, Trato, Ofertório e Communio.

Deus mesmo nos ouve, nos libertará e nos dará a glória. No princípio da Quaresma nos é prometida a Páscoa.

 

«Jesus respondeu-lhe: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.» Ev.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Edição nº 807

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 807 – 15 de fevereiro de 2026

 

Domingo da Quinquagésima
roxo – 2ª classe

 

Em espírito, nós nos reunimos com toda a santa Igreja junto ao sepulcro do Príncipe dos Apóstolos, S. Pedro. Como ele, devemo-nos curar da cegueira espiritual e nos convencer de que os sofrimentos do Cristo e também os nossos são necessários para conseguirmos a verdadeira vida.

Este domingo é uma preparação próxima para a Quaresma. Por amor da humanidade cega, toma o Salvador sobre Si os sofrimen­tos dela (Evangelho). Por amor de Deus – a Epístola nos ensina qual o verdadeiro – devemos expiar as nossas faltas, fazendo da santa Missa o nosso Calvário, e unindo os nossos sofrimentos aos do Filho de Deus. E se na Oração pedimos que o Senhor nos livre de toda adversidade, queremos apenas a isenção dos males que prejudicam a nossa salvação, sabendo que, aos que amam a Deus, todas as coisas cooperam para o seu bem (Rom. 8, 28).

 


«Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu veja.» Ev.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Edição nº 806

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 806 – 8 de fevereiro de 2026

 

Domingo da Sexagésima
roxo – 2ª classe

 

Reunidos na basílica de S. Paulo, representada por nossa Igreja, vemos o magnífico exemplo do grande Apóstolo (Epístola).

Com o Cristo devemos morrer, para com Ele ressuscitarmos. Este é o sentido da Quaresma e para isso nos preparamos nos três domingos precedentes. Ele é o Semeador (Evangelho). Preparemos nossos corações, afastando os obstáculos, que são: a indiferença – o caminho; a inconstância – as pedras; as paixões – os espinhos. Custe embora à natureza humana, a Igreja o confessa no Intróito. Mas não desanimaremos; contra as adversidades podemos contar com a proteção do Doutor das gentes (Oração).

 

«A semente é a palavra de Deus.» Ev.