sábado, 25 de julho de 2026

Edição nº 830


«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 830 – 26 de julho de 2026

 

 9º Domingo depois de Pentecostes
verde – 2a. classe

 

Escolhido entre muitos, é o Cristão um predileto de Deus. Entretanto não exclui este fato a possibilidade de sermos assaltados por perigos. Como outrora o povo de Deus, o povo escolhido, ainda podia–Lhe ser infiel (Epístola e Evangelho) assim também, de nós não é afastado o perigo. Castigando o povo ingrato e predizendo como justo Juiz a sua ruína, avisa-nos Deus do risco que corremos. Lembremo-nos que há inferno, e que a própria alma remida com o Sangue de Jesus Cristo ainda se pode perder. No mar tempestuoso da vida, seja-nos esta verdade como um farol que nos acautele dos escolhos. Mas a Igreja é sempre mãe solícita; e em suas Orações e em seus Cânticos anima-nos à confiança.

 

«Quando Jesus chegou perto, ao ver a cidade chorou sobre ela» Ev.

                                        

Avisos Paroquiais

 

Atenção para os horários das Santas Missas neste Domingo:

 

    – às 7h, 9h e 19h, em nossa igreja matriz;

    – às 10h, na Capela de São Brás, em Sesmaria;

    – às 18h, na Capela de Santa Isabel, em Usina Santa Isabel, Santa Missa, procissão e festejos em honra da padroeira.

Serão transmitidas, direto da nossa igreja matriz, a Santa Missa das 7h, pela Rádio Bom Jesus FM 89.3 e pelo YouTube e também a Santa Missa das 19h, pelo YouTube.

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 (Transmissão ao Vivo – Santa Missa 7h e 19h)

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Intróito / ECCE DEUS – Salmo 53. 6-7, 3

Canto solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia.

Ecce, Deus adiuvat me, et Dóminus suscéptor est ánimæ meæ: avérte mala inimícis meis, et in veritáte tua dispérde illos, protéctor meus, Dómine. Ps. Deus, in nómine tuo salvum me fac: et in virtúte tua libera me. . Glória Patri.

Eis que Deus vem em meu auxílio, e o Senhor é o protetor de minha alma. Voltai os males contra meus inimigos, e por vossa fidelidade, exterminai-os, ó Senhor, meu protetor. Sl. Salvai-me, ó Deus, por vosso Nome, e por vosso poder, livrai-me. . Glória ao Pai.

Oração (Colecta)

Pedimos ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.

Quæ placita sunt ei facio semper. A aspiração do cristão anela a fundir-se com a do próprio Jesus Cristo: conformar-se em tudo à vontade de Deus, até não ter também outra oração.

Páteant aures misericórdiæ tuæ, Dómine, précibus supplicántium: et, ut peténtibus desideráta concédas; fac eos quæ tibi sunt plácita, postuláre. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Abri, Senhor, os ouvidos de vossa misericórdia às preces de vossos servos suplicantes, e, para que aos seus rogos concedais o que desejam, fazei que somente peçam o que for de vosso agrado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios I. 10. 6-13

Leitura ordinariamente extraída das epístolas ou cartas dos Apóstolos; daí o seu nome.

S. Paulo colhe do passado de Israel lições, que valem ainda para a nossa vida cristã.

Fratres: Non simus concupiscéntes malórum, sicut et illi concupiérunt. Neque idolólatræ efficiámini, sicut quidam ex ipsis: quemádmodum scriptum est: Sedit pópulus manducáre et bíbere, et surrexérunt lúdere. Neque fornicémur, sicut quidam ex ipsis fornicáti sunt, et cecidérunt una die vigínti tria mília. Neque tentémus Christum, sicut quidam eórum tentavérunt, et a serpéntibus periérunt. Neque murmuravéritis, sicut quidam eórum murmuravérunt, et periérunt ab exterminatóre. Hæc autem ómnia in figúra contingébant illis: scripta sunt autem ad correptiónem nostram, in quos fines sæculórum devenérunt. Itaque qui se exístimat stare, vídeat ne cadat. Tentátio vos non apprehéndat, nisi humána: fidélis autem Deus est, qui non patiétur vos tentári supra id, quod potéstis, sed fáciet étiam cum tentatióne provéntum, ut póssitis sustinére.

Irmãos: 6Não cobicemos as coisas más, como aqueles (os judeus) cobiçaram; 7nem vos torneis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: Sentou-se o povo a comer e a beber, e levantou-se para dançar [ao redor do bezerro de ouro]1. 8Não pratiquemos a impureza, como alguns deles praticaram e morreram em um dia vinte e três mil. 9Não tentemos ao Cristo, como alguns deles tentaram e pereceram pelas serpentes. 10Nem murmureis, como alguns deles murmuraram, e foram mortos pelo Anjo exterminador2. 11Ora, todas essas coisas lhes aconteciam em figura, e estão escritas para advertência de nós outros, chegados que estamos aos fins dos séculos. 12Aquele, pois, que crê estar de pé, olhe que não caia. 13Não vos sobrevenha tentação acima das forças humanas. Fiel é Deus, que não permitirá sejais tentados além de vossas forças; antes fará que tireis ainda proveito da tentação, dando-vos o poder de lhe resistir.

1. Êxodo 32. 6.

2. O Anjo executor dos castigos divinos.

 

Gradual / Salmo 8. 2

Gradual e Aleluia, são cantos intercalares, por via de regra, tirados dos salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

Dómine, Dóminus noster, quam admirábile est nomen tuum in universa terra! . Quóniam eleváta est magnificéntia tua super cælos.

Ó Senhor, Senhor nosso, como é admirável vosso Nome em toda a terra! . Porque a vossa magnificência se elevou acima dos céus.

Aleluia / Salmo 58. 2

Allelúia, allelúia. . Eripe me de inimícis meis, Deus meus: et ab insurgéntibus in me líbera me. Allelúia.

Aleluia, aleluia. . Salvai-me de meus inimigos, ó Deus meu; livrai-me dos que se levantam contra mim. Aleluia.

Evangelho segundo São Lucas 19. 41-47

Proclamação solene da Palavra de Deus. Ponto culminante desta primeira parte da Missa, a leitura ou canto do Evangelho, é revestida da maior solenidade. O respeito para com ele, exige seja escutado de pé.

A verdadeira felicidade do homem está no acolhimento que faz a Deus; a sua desgraça e perda, em resistir-lhe ou, depois de O haver acolhido, profanar um templo, que Deus consagrara.

In illo témpore: Cum appropinquáret Iesus Ierúsalem, videns civitátem, flevit super illam, dicens: Quia si cognovísses et tu, et quidem in hac die tua, quæ ad pacem tibi, nunc autem abscóndita sunt ab óculis tuis. Quia vénient dies in te: et circúmdabunt te inimíci tui vallo, et circúmdabunt te: et coangustábunt te úndique: et ad terram prostérnent te, et fílios tuos, qui in te sunt, et non relínquent in te lápidem super lápidem: eo quod non cognóveris tempus visitatiónis tuæ. Et ingréssus in templum, cœpit ejícere vendéntes in illo et eméntes, dicens illis: Scriptum est: Quia domus mea domus oratiónis est. Vos autem fecístis illam speluncam latrónum. Et erat docens cotídie in templo.

Naquele tempo, 41tendo Jesus chegado perto de Jerusalém, avistou a cidade, e chorou sobre ela, dizendo: 42Ah! Se tu conhecesses3, ao menos neste teu dia, o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. 43Porque, dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e por todos os lados te apertarão. 44Arrasar-te-ão a ti e a teus filhos, que estão dentro de ti, e em ti não deixarão pedra sobre pedra, porque tu não conheceste o tempo de tua visitação4. 45E tendo entrado no templo, começou a lançar fora todos os que aí vendiam ou compravam, 46dizendo-lhes: Está escrito: Minha casa é casa de oração, e vós fizestes dela um covil de ladrões. 47E todos os dias Ele ensinava no templo.

3. Como os discípulos.

4. Em que foste o objeto das mercês divinas.

 

CREDO... Concluímos a Ante-Missa com essa profissão de fé.

Breve compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja, afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.

 

Ofertório / Salmo 18. 9-12

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.

Iustítiæ Dómini rectæ, lætificántes corda, et iudícia eius dulcióra super mel et favum: nam et servus tuus custódit ea.

As leis do Senhor são justas e alegram os corações e seus juízos são mais doces que o mel e o favo; por isso vosso servo os guarda.

Secreta

É a antiga «oração sobre as oblatas», ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.

Note-se a afirmação doutrinal desta secreta.

Concéde nobis, quǽsumus, Dómine, hæc digne frequentáre mystéria: quia, quóties huius hóstiæ commemorátio celebrátur, opus nostræ redemptiónis exercétur. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Concedei, Senhor, Vos pedimos, que dignamente e frequentes vezes celebremos estes Mistérios, porque sempre que se renova a memória deste Sacrifício, se opera o fruto de nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Communio / João 6. 57

Alternando com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão dos fiéis.

Qui mandúcat meam carnem et bibit meum sánguinem, in me manet et ego in eo, dicit Dóminus.

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e eu nele, diz o Senhor.

Postcommunio

Súplica a Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.

Tui nobis, quǽsumus, Dómine, commúnio sacraménti, et purificatiónem cónferat, et tríbuat unitátem. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Senhor, nós Vos suplicamos que a recepção de vosso Sacramento nos purifique e nos conceda o Espírito de união. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Meditação

 

Correspondência à Graça
Ó Senhor, fazei que em mim a Vossa graça não seja vã.

 

1 – Hoje a liturgia convida-nos a refletir sobre o grave problema da nossa correspondência à graça, apresentando-nos o triste quadro das vicissitudes de Israel, o povo escolhido, que Deus cumulara de benefícios, enchera de graças, protegera cuidadosamente e que, apesar disso, por infelicidade se perdeu. Na Epístola (I Cor. 10, 6-13) S. Paulo, depois de ter tocado alguns pontos da prevaricação de Israel, conclui: «Estas coisas lhes aconteciam em figura e foram escritas para advertência de todos nós... Aquele, pois, que crê estar de pé, veja não caia». É um chamamento premente à vigilância e à humildade. Se Deus nos preveniu com as Suas graças, se nos chamou a uma vida interior mais intensa, a uma maior intimidade com Ele, tudo isto, longe de nos tornar presunçosos, deve escavar no nosso coração uma humildade mais profunda: os dons de Deus têm de ser conservados sob a cinza de uma humilde desconfiança de si mesmo. Ai de nós se já nos considerássemos livres daquelas fraquezas que encontramos e talvez condenemos nos outros! Repitamos antes, humildemente: Senhor, ajudai-me, senão poderei fazer ainda pior. Contudo, exortando-nos à humildade, São Paulo impele-nos também à confiança porque «Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças, antes fará que tireis ainda vantagens da mesma tentação, para a poderdes suportar». O Apóstolo ensina-nos igualmente que a consciência da nossa fragilidade não nos deve desanimar, porque Deus está sempre pronto a amparar-nos com a Sua graça. Deus conhece as tentações que nos afligem e dá-nos, em cada uma delas, a medida de graça necessária para triunfarmos. É bem verdade que, quando a tempestade se desencadeia, somente damos conta do embate da luta, ao passo que a graça com que Deus nos socorre permanece inteiramente oculta; porém, tenhamos a certeza de que esta graça está presente, porque «Deus é fiel». «O bom Deus sempre me ajudou... – dizia Sta. Teresa do Menino Jesus – Conto com Ele. Tenho a certeza de que continuará a socorrer-me até o fim. Poderei sofrer muitíssimo, mas nunca será demais, estou certa disso» (NV. 28, 5).

2 – O Evangelho (Lc. 19, 41-47), retomando o mesmo argumento da Epístola, apresenta-nos Jesus chorando sobre Jerusalém. O Criador, o Senhor, o Salvador, chora sobre as ruínas das Suas criaturas, do povo que amou com predileção a ponto de o escolher por companheiro da Sua vida terrena e que a todo o custo quereria ter salvo.

«Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes eu quis juntar teus filhos como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintos e tu não quiseste!» (Mt. 23, 37). Tal foi a atitude constante de Jesus para com a cidade santa, mas esta continuou sempre cega a toda a luz, surda a todo o convite; e o Salvador, poucos dias antes de Se entregar à Paixão, lança-lhe o último amargurado apelo: «Se ao menos neste dia que te é dado tu conhecesses ainda o que te pode trazer a paz!» Todavia, mais uma vez, a cidade resiste e Jesus, depois de a ter amado tanto, depois de ter chorado sobre ela como a mãe chora sobre o filho transviado, prediz-lhe a ruína: «Os teus inimigos... não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visita».

E tu saberás reconhecer os momentos em que o Senhor visita a tua alma? Uma boa palavra, lida ou ouvida talvez por acaso, um exemplo edificante, uma inspiração interior, uma luz nova que te faz ver mais a fundo os teus defeitos, que te abre novos horizontes de virtude e de bem, são outras tantas visitas de Jesus. E como correspondes? A tua alma é sensível a estas luzes, a estes apelos? Não te surpreendes uma vez por outra a olhar para o lado, temendo que a luz entrevista exija ao teu amor próprio sacrifícios demasiado duros?

Oh! se tivesses reconhecido sempre o momento em que o Senhor te visitou! Se te abrisses sempre de par em par à Sua ação! Procura, pois, recomeçar hoje de novo, resolvido a recomeçar todas as vezes que te acontecer ceder à natureza. «O que te pode trazer a paz», a felicidade, a santificação, é unicamente esta adesão contínua aos impulsos da graça.

MADALENA, Padre Gabriel de Santa Maria. Intimidade Divina. 2. ed.
Porto: Edições Carmelitanas, 1967, p. 973-975.


sábado, 18 de julho de 2026

Edição nº 829

«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 829 – 19 de julho de 2026

 

 8º Domingo depois de Pentecostes
verde – 2a. classe

 

Já a Missa do domingo passado nos mostrou a humanidade dividida em dois campos: o escravo do pecado e o escravo de Deus. A boa árvore e a árvore má.  Também nesta Missa, Nosso Senhor nos fala (Evangelho) dos filhos do mundo e dos filhos da luz.  Aqueles são mais prudentes em sua espécie, isto é, em atingirem os fins que levam à perdição e à morte. E, ao contrário, quanto nós nos devemos ainda esforçar para conseguirmos o nosso fim, que é a vida eterna! Importa, porém, termos sempre presente a nossa fraqueza e pedirmos a Deus que nos inspire a graça de pensarmos no bem e o verdadeiro modo de agir (Oração). Cristãos, somos elevados à dignidade de filhos de Deus, e não devemos andar segundo a carne, mas, sim, segundo o Espírito.  Deus é o nosso pai, Jesus é o nosso irmão e o Espírito Santo habita em nós; o céu e a bem-aventurança serão a nossa recompensa. 


«Quanto deves a meu senhor?» Ev.

 

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Intróito / SUSCÉPIMUS – Salmo 47. 10-11*, 2

Canto solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou solenidade do dia.

Suscépimus, Deus, misericórdiam tuam in médio templi tui: secúndum nomen tuum, Deus, ita et laus tua in fines terræ: iustítia plena est déxtera tua. Ps. Magnus Dóminus, et laudábilis nimis: in civitate Dei nostri, in monte sancto eius. . Glória Patri.

Alcançamos, ó Deus, vossa misericórdia no meio de vosso templo. Como vosso Nome, ó Deus, assim o vosso louvor se estende até os confins da terra: vossa Destra está cheia de justiça1. Sl. Grande é o Senhor e mui digno de louvores; na cidade de nosso Deus, na sua montanha Santa. . Glória ao Pai.

1. Isto é, da salvação que Ele nos traz.

Oração (Colecta)

Pedimos ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.

Tudo devemos a Deus. Na ordem da natureza, e ainda mais na da salvação. Como poderíamos, sem Deus, «viver segundo Deus»?

Largíre nobis, quǽsumus, Dómine, semper spíritum cogitándi quæ recta sunt, propítius et agéndi: ut, qui sine te esse non póssumus, secúndum te vívere valeámus. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Concedei-nos, propício, Senhor, que sempre pensemos o que é reto e o pratiquemos, para que, não podendo viver sem Vós, vivamos conforme a vossa vontade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 8. 12-17

Leitura ordinariamente extraída das epístolas ou cartas dos Apóstolos; daí o seu nome.

«Abba! Pai!» era a oração de Cristo, que sintetiza todo o impulso do seu amor ao Pai e que resume a religião cristã. Rezada no íntimo do cristão pelo Espirito Santo, eleva-o para além da Terra.

Fratres: Debitóres sumus non carni, ut secúndum carnem vivámus. Si enim secúndum carnem vixéritis, moriémini: si autem spíritu facta carnis mortificavéritis, vivétis. Quicúmque enim spíritu Dei aguntur, ii sunt fílii Dei. Non enim accepístis spíritum servitútis íterum in timóre, sed accepístis spíritum adoptiónis filiórum, in quo clamámus: Abba - Pater. - Ipse enim Spíritus testimónium reddit spirítui nostro, quod sumus fílii Dei. Si autem fílii, et herédes: herédes quidem Dei, coherédes autem Christi.

12Irmãos: Nós não somos devedores à carne, para que vivamos segundo a carne. 13Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis. 14Pois, todos os que se deixam conduzir pelo espírito de Deus, esses são filhos de Deus. 15Com efeito, não recebestes o espírito de servidão para continuardes no temor; mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba! (Pai). 16E este Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. 17Ora, se filhos, também somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros do Cristo.

Gradual / Salmos 30. 3; 70. 1

Gradual e Aleluia, são cantos intercalares, por via de regra, tirados dos salmos e que traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou sugeridos pelo Mistério do dia.

Esto mihi in Deum protectórem, et in locum refúgii, ut salvum me fácias. . Deus, in te sperávi: Dómine, non confúndar in ætérnum.

Sede para mim um Deus protetor e um lugar de refúgio para me salvar. . Ó Deus, em Vós espero; Senhor, não serei confundido para sempre.

Aleluia / Salmo 47. 2

Allelúia, allelúia.  . Magnus Dóminus, et laudábilis valde, in civitáte Dei nostri, in monte sancto eius. Allelúia.

Aleluia, aleluia. . Grande é o Senhor, e mui digno de louvores, na cidade de nosso Deus, na sua montanha santa. Aleluia.

Evangelho segundo São Lucas 16. 1-9

Proclamação solene da Palavra de Deus. Ponto culminante desta primeira parte da Missa, a leitura ou canto do Evangelho, é revestida da maior solenidade. O respeito para com ele, exige seja escutado de pé.

A parábola do administrador infiel precisa de ser bem compreendida. Não se trata, de maneira nenhuma, de aprovar a gerência desonesta. A lição é clara: como este homem garantiu o futuro, assegurai vós a eternidade, sem pôr nisso menos zelo! O próprio Jesus nos indica o meio; os pobres são os privilegiados do seu reino. Com nossas esmolas façamos deles amigos e, mais tarde, nos introduzirão no Céu.

In illo témpore: Dixit Iesus discípulis suis parábolam hanc: Homo quidam erat dives, qui habébat víllicum: et hic diffamátus est apud illum, quasi dissipásset bona ipsíus. Et vocávit illum et ait illi: Quid hoc audio de te? redde ratiónem villicatiónis tuæ: iam enim non póteris villicáre. Ait autem víllicus intra se: Quid fáciam, quia dóminus meus aufert a me villicatiónem? fódere non váleo, mendicáre erubésco. Scio, quid fáciam, ut, cum amótus fúero a villicatióne, recípiant me in domos suas. Convocátis itaque síngulis debitóribus dómini sui, dicébat primo: Quantum debes dómino meo? At ille dixit: Centum cados ólei. Dixítque illi: Accipe cautiónem tuam: et sede cito, scribe quinquagínta. Deínde álii dixit: Tu vero quantum debes? Qui ait: Centum coros trítici. Ait illi: Accipe lítteras tuas, et scribe octogínta. Et laudávit dóminus víllicum iniquitátis, quia prudénter fecísset: quia fílii huius sǽculi prudentióres fíliis lucis in generatióne sua sunt. Et ego vobis dico: fácite vobis amicos de mammóna iniquitátis: ut, cum defecéritis, recípiant vos in ætérna tabernácula.

Naquele tempo, 1disse Jesus a seus discípulos esta parábola: Havia um homem rico que tinha um feitor; e este foi acusado perante ele de haver dissipado os seus bens. 2Então, ele o chamou e lhe disse: Que é isto que ouço dizer de ti? Dá conta de tua administração, porque já não poderás ser feitor. 3Disse o feitor consigo: Que farei, visto que o meu Senhor me tira a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. 4Sei o que hei de fazer, para que, quando for destituído da administração, encontre quem me receba em sua casa. 5Chamou então cada um dos devedores de seu senhor, e disse ao primeiro: Quanto deves a meu senhor? 6Ele respondeu: Cem medidas de azeite. E o feitor disse: Toma a tua obrigação; senta-te depressa, e escreve cinquenta. 7Depois disse a outro: E tu, quanto deves? Ele respondeu: Cem alqueires de trigo. Disse-lhe o feitor: Toma as tuas letras, e escreve oitenta. 8E o senhor louvou o feitor infiel, por ter agido com inteligência, porque os filhos deste mundo entre si são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. 9Portanto, também eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da iniquidade, para que, quando chegar a vossa hora, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.

 

CREDO... Concluímos a Ante-Missa com essa profissão de fé.

Breve compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja, afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.

 

Ofertório / Salmo 17. 28, 32

Com o Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.

Pópulum húmilem salvum fácies, Dómine, et óculos superbórum humiliábis: quóniam quis Deus præter te, Dómine?

Senhor, Vós salvais o povo humilde, e humilhais os olhos dos soberbos. Por que, quem é Deus, senão Vós, Senhor?

Secreta

É a antiga «oração sobre as oblatas», ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.

Súscipe, quǽsumus, Dómine, múnera, quæ tibi de tua largitáte deférimus: ut hæc sacrosáncta mystéria, grátiæ tuæ operánte virtúte, et præséntis vitæ nos conversatióne sanctíficent, et ad gáudia sempitérna perdúcant. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Recebei, Vos pedimos, Senhor, estes dons que por vossa liberalidade Vos oferecemos, a fim de que estes santos Mistérios, pela poderosa eficácia de vossa graça, nos santifiquem durante a vida presente e nos façam chegar às alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Communio / Salmo 33. 9

Alternando com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão dos fiéis.

Gustáte et vidéte, quóniam suávis est Dóminus: beátus vir, qui sperat in eo.

Provai e vede como o Senhor é amável. Bem-aventurado o homem que n’Ele confia.

Postcommunio

Súplica a Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.

Sit nobis, Dómine, reparátio mentis et córporis cæléste mystérium: ut, cuius exséquimur cultum, sentiámus efféctum. Per Dominum nostrum Iesum Christum.

Senhor, este celestial Mistério renove a nossa alma e o nosso corpo, para que sintamos os efeitos do Mistério que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.


Meditação

 

As nossas riquezas

Ó Senhor, ensinai-me a ser um fiel e prudente administrador dos Vossos bens.

 

1 – Hoje, tal como no domingo passado, S. Paulo, na Epístola da Missa (Rom. 8, 12-17), confronta as duas vidas que se debatem sempre em nós: a vida do homem velho, escravo do pecado e das paixões, que produz frutos de morte, e a vida do homem novo, escravo, ou melhor, filho de Deus, que produz frutos de vida: «Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se, pelo espírito, fizerdes morrer as obras da carne, vivereis». O batismo fez-nos nascer para a vida do espírito, porém não suprimiu em nós a vida da carne; o homem novo deve combater sempre contra o homem velho, o espírito deve lutar contra a matéria. A graça batismal não nos isentou desta luta, embora nos tornasse capazes de a sustentar. Importa muito estarmos bem convencidos disto para não termos ilusões, para não nos admirarmos de que, depois de longos anos de vida espiritual, se levantem ainda em nós certas batalhas, que talvez pensássemos ter vencido para sempre. É esta a nossa condição: «A vida do homem sobre a terra é uma guerra» (Jó. 7, 1), tanto mais que Jesus disse: «O reino dos céus adquire-se à força» (Mt. 11, 12). Mas a luta contínua não nos deve assustar porque a graça fez-nos filhos de Deus e, como tais, temos todo o direito de contar com a Sua ajuda paternal: «Não recebestes o espírito de escravidão – insiste S. Paulo – para estardes novamente com temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, mercê do qual chamamos, dizendo: Abba, Pai!» E, para fortalecer a nossa fé nesta grande verdade, acrescenta: «O mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus». É como se o Apóstolo nos quisesse dizer: Não sou eu que vos afirma isto, é o Espírito Santo que vo-lo diz e dá testemunho dentro de vós. O Espírito Santo está em nós, em nós suplica ao Pai celestial, em nós suscita a esperança e a confiança; não sois escravos – diz-nos Ele – mas filhos: que temeis? Eis as nossas riquezas: ser filhos de Deus, co-herdeiros de Cristo, templos do Espírito Santo.

2 – Sob o véu duma parábola, à primeira vista um pouco desconcertante, o Evangelho de hoje (Lc. 16, 1-9) ensina-nos a sermos prudentes ao administrar as grandes riquezas da vida da graça. Ao propor esta parábola, certamente que Jesus não pretendeu louvar a conduta do servo «infiel» que, depois de ter roubado em todo o tempo do seu serviço, continuou também a roubar quando soube que ia ser despedido. Contudo, louvou o servo pela astúcia com que soube prevenir-se para o dia de amanhã. A lição da parábola incide precisamente sobre este ponto: «os filhos deste século são mais hábeis, na sua geração, que os filhos da luz. Portanto, eu vos digo: granjeai amigos com as riquezas da iniquidade para que, quando vierdes a precisar, vos recebam nos tabernáculos eternos». Jesus exorta-nos, a nós os «filhos da luz», a não sermos menos hábeis em olhar pelos interesses eternos do que os filhos «das trevas» em assegurar os bens da terra.

Também nós, como o servo da parábola, recebemos de Deus um patrimônio para administrar: são os dons naturais, mas muito especialmente os dons sobrenaturais com todo o conjunto de graças, de santas inspirações, de incitamento ao bem, que Deus nos prodigalizou. Também para nós chegará o dia de prestar contas, e também nós teremos de reconhecer que fomos tantas vezes infiéis ao negociar com os dons de Deus, em fazer frutificar na nossa alma as riquezas da graça. Como remediar, portanto as nossas infidelidades? É chegado o momento de pôr em prática a lição da parábola por meio da qual, diz Sto. Agostinho: «O Senhor aconselha todos a valerem-se dos bens terrenos para granjear amigos entre os pobres. Estes, por seu turno, fazendo-se amigos dos seus benfeitores, serão causa da sua admissão no céu». Por outras palavras, trata-se de saldar as nossas dívidas para com Deus por meio da caridade para com o próximo porque, como diz a Sagrada Escritura, «a caridade cobre a multidão dos pecados» (I Ped. 4, 8). E não se trata apenas da caridade material, mas também da espiritual: não só de coisas grandes, mas também de pequenas, até de mínimas, como um copo de água dado por amor de Deus. Estes pequeninos atos de caridade estão sempre ao nosso alcance e são as riquezas com que pagaremos as nossas dívidas e regularizaremos a «nossa administração».

MADALENA, Padre Gabriel de Santa Maria. Intimidade Divina. 2. ed.
Porto: Edições Carmelitanas, 1967, p. 946-949.