«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 807 – 15 de
fevereiro de 2026
† Domingo da Quinquagésima
roxo – 2ª classe
Em espírito, nós nos reunimos com toda a santa
Igreja junto ao sepulcro do Príncipe dos Apóstolos, S. Pedro. Como ele,
devemo-nos curar da cegueira espiritual e nos convencer de que os sofrimentos
do Cristo e também os nossos são necessários para conseguirmos a verdadeira vida.
Este domingo é uma preparação próxima para a
Quaresma. Por amor da humanidade cega, toma o Salvador sobre Si os sofrimentos
dela (Evangelho). Por amor de Deus – a Epístola nos ensina qual o verdadeiro –
devemos expiar as nossas faltas, fazendo da santa Missa o nosso Calvário, e
unindo os nossos sofrimentos aos do Filho de Deus. E se na Oração pedimos que o
Senhor nos livre de toda adversidade, queremos apenas a isenção dos males que
prejudicam a nossa salvação, sabendo que, aos que amam a Deus, todas as coisas
cooperam para o seu bem (Rom. 8, 28).
«Que queres que te faça? Ele
respondeu: Senhor, que eu veja.» Ev.
Avisos Paroquiais
– Às 16h deste domingo, daremos início
ao Retiro de Carnaval. O convite é aberto a todos — venha participar conosco!
Atenção para os horários
das Santas Missas neste Domingo:
– às 7h, 9h e 19h em
nossa igreja matriz;
– às 8h na Capela de São
Pio de Pietrelcina e Santo Antônio, em Carabuçu;
– às 10h na Capela de
São Brás, em Sesmaria;
– às 10h na Capela de
Santo Antônio, em Córrego Seco;
– às 17h na Capela de
São Sebastião, em Bom Jardim.
Serão transmitidas pelas
redes sociais a Santa Missa das 7h (via YouTube e Rádio Bom Jesus 89.3 FM) e a
das 19h (via YouTube).
Lembramos que quarta-feira de cinzas é dia de jejum e abstinência.
Redes Sociais:
Facebook – https://www.facebook.com/ParoquiadoSenhorBomJesusCrucificado
YouTube – https://www.youtube.com/c/ParoquiadoSenhorBomJesusCrucificado
(Transmissão ao Vivo – Santa
Missa 7h e 19h)
Instagram – https://www.instagram.com/bomjesuscrucificado/
E-mail – bomjesuscrucificado@gmail.com
Intróito / ESTO MIHI – Salmo 30. 3-4, 2
Canto
solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou
solenidade do dia.
Esto mihi in Deum protectórem, et in
locum refúgii, ut salvum me fácias: quóniam firmaméntum meum et refúgium meum
es tu: et propter nomen tuum dux mihi eris, et enútries me. Ps. In te, Dómine,
sperávi, non confúndar in ætérnum: in iustítia tua líbera me et éripe me. ℣. Glória Patri.
Sede para mim, ó Deus, um protetor e
um lugar de refúgio para me salvar, porque Vós sois minha força e meu refúgio;
para a glória de vosso Nome, guiai-me e nutri-me. Sl. Em Vós, Senhor, espero,
não serei confundido eternamente; por vossa justiça livrai-me e salvai-me. ℣. Glória ao Pai.
Oração (Colecta)
Pedimos
ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.
Preces nostras, quǽsumus, Dómine,
cleménter exáudi: atque, a peccatórum vínculis absolútos, ab omni nos
adversitáte custódi. Per Dominum nostrum Iesum Christum.
Senhor, nós Vos suplicamos que
atendais benigno às nossas preces, e, libertados dos laços do pecado, nos
preserveis de toda adversidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Epístola de São Paulo Apóstolo aos
Coríntios 1. 13. 1-13
Leitura
ordinariamente extraída das epístolas ou cartas dos Apóstolos; daí o seu nome.
O mérito da nossa vida e a sua força de irradiação sobrenatural
dependem, não da medida da nossa atividade, mas da caridade que nos anima.
Infundida em nossas almas pelo Espírito Santo, é ela que nos permitirá ver a
Deus face a face.
Fratres: Si linguis hóminum loquar et
Angelórum, caritátem autem non hábeam, factus sum velut æs sonans aut cýmbalum
tínniens. Et si habúero prophétiam, et nóverim mystéria ómnia et omnem
sciéntiam: et si habúero omnem fidem, ita ut montes tránsferam, caritátem autem
non habúero, nihil sum. Et si distribúero in cibos páuperum omnes facultátes
meas, et si tradídero corpus meum, ita ut árdeam, caritátem autem non habuero,
nihil mihi prodest. Cáritas patiens est, benígna est: cáritas non æmulátur, non
agit pérperam, non inflátur, non est ambitiósa, non quærit quæ sua sunt, non
irritátur, non cógitat malum, non gaudet super iniquitáte, congáudet autem
veritáti: ómnia suffert, ómnia credit, ómnia sperat, ómnia sústinet. Cáritas
numquam éxcidit: sive prophétiæ evacuabúntur, sive linguæ cessábunt, sive
sciéntia destruétur. Ex parte enim cognóscimus, et ex parte prophetámus. Cum
autem vénerit quod perféctum est, evacuábitur quod ex parte est. Cum essem
párvulus, loquébar ut párvulus, sapiébam ut párvulus, cogitábam ut párvulus.
Quando autem factus sum vir, evacuávi quæ erant párvuli. Vidémus nunc per
spéculum in ænígmate: tunc autem fácie ad fáciem. Nunc cognósco ex parte: tunc
autem cognóscam, sicut et cógnitus sum. Nunc autem manent fides, spes, cáritas,
tria hæc: maior autem horum est cáritas.
Irmãos: 1Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos
Anjos1, se não tivesse Caridade, seria como
o bronze que soa ou como o címbalo que tine. 2Se tivesse o dom da profecia, conhecesse todos os
mistérios e possuísse toda a ciência, e se tivesse toda a fé, de modo a
transportar montes, mas não tivesse a Caridade, não seria nada. 3E ainda que distribuísse todos os meus bens para
mantimento dos pobres, e entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse
a Caridade, nada me aproveitaria. 4A Caridade é paciente,
é benigna; a Caridade não é invejosa, não trata levianamente, não se
ensoberbece, 5não é ambiciosa, não cuida [apenas]
de seus interesses, não se irrita, não julga mal, 6não folga com a injustiça, porém, alegra-se com a
verdade; 7tudo suporta, tudo crê, tudo espera,
tudo sofre. 8A Caridade nunca há de acabar, ainda
que tenham fim as profecias, cessem as línguas e a ciência seja destruída. 9Porque é em parte que conhecemos, e é em parte que
profetizamos, 10mas, quando vier o que é perfeito,
será abolido o que é incompleto. 11Quando
eu era menino, falava como menino, julgava como menino, pensava como menino.
Mas, quando cheguei a ser homem feito, abandonei o que era de menino. 12Agora vemos a Deus como por um espelho, em enigma;
mas então O veremos face a face. Agora conheço-O em parte, mas então O
conhecerei tão bem como sou conhecido eu mesmo. 13Agora, portanto, permanecem estas três: a fé, a
esperança e a Caridade; a maior delas, porém, é a Caridade.
1. Nós diríamos: «todas as línguas possíveis e imagináveis»; é o dom das línguas, elevado ao máximo.
Gradual / Salmo 76. 15-16
Gradual e
Aleluia, são cantos intercalares, por via de regra, tirados dos salmos e que
traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou
sugeridos pelo Mistério do dia.
Tu es Deus qui facis mirabília solus:
notam fecísti in géntibus virtútem tuam. ℣. Liberásti in bráchio tuo pópulum tuum, fílios
Israel et Ioseph.
Ó Deus, somente vós fazeis maravilhas;
manifestastes entre os povos o vosso poder. ℣. Por vosso braço resgatastes vosso povo, os filhos
de Israel e de José.
Tracto / Salmo 99. 1-2
No Tempo
da Septuagésima, o Alleluia é substituído pelo Tracto.
Iubiláte Deo, omnis terra: servíte
Dómino in lætítia. ℣. Intráte in
conspéctu eius in exsultatióne: scitóte, quod Dóminus ipse est Deus. ℣. Ipse fecit nos, et non ipsi nos: nos autem pópulus
eius, et oves páscuæ eius.
Aclamai a Deus, toda a terra; servi ao
Senhor na alegria. ℣. Exultando, vinde à sua presença; sabei que só o
Senhor é Deus. ℣. Ele nos fez, e não nós a nós mesmos; somos o seu
povo e as ovelhas de seu pasto.
Evangelho segundo São Lucas 18. 31-43
Proclamação
solene da Palavra de Deus. Ponto culminante desta primeira parte da Missa, a
leitura ou canto do Evangelho, é revestida da maior solenidade. O respeito para
com ele, exige seja escutado de pé.
«Este cego, de que nos fala o evangelho, é o gênero humano, banido da
felicidade do paraíso, e que, ignorando a claridade da luz sobrenatural, se
sente prisioneiro das trevas a que se condenou pelo pecado. Iluminado agora
pela presença do seu Redentor, as boas obras põem-no no caminho da verdadeira
vida» (S. Gregório, em matinas).
In illo témpore: Assúmpsit Iesus
duódecim, et ait illis: Ecce, ascéndimus Ierosólymam, et consummabúntur ómnia,
quæ scripta sunt per Prophétas de Fílio hominis. Tradátur enim Géntibus, et
illudétur, et flagellábitur, et conspuétur: et postquam flagelláverint,
occídent eum, et tértia die resúrget. Et ipsi nihil horum intellexérunt, et
erat verbum istud abscónditum ab eis, et non intellegébant quæ dicebántur.
Factum est autem, cum appropinquáret Iéricho, cæcus quidam sedébat secus viam,
mendícans. Et cum audíret turbam prætereúntem, interrogábat, quid hoc esset.
Dixérunt autem ei, quod Iesus Nazarénus transíret. Et clamávit, dicens: Iesu,
fili David, miserére mei. Et qui præíbant, increpábant eum, ut tacéret. Ipse
vero multo magis clamábat: Fili David, miserére mei. Stans autem Iesus, iussit
illum addúci ad se. Et cum appropinquásset, interrogávit illum, dicens: Quid
tibi vis fáciam? At ille dixit: Dómine, ut vídeam. Et Iesus dixit illi:
Réspice, fides tua te salvum fecit. Et conféstim vidit, et sequebátur illum,
magníficans Deum. Et omnis plebs ut vidit, dedit laudem Deo.
Naquele tempo, 31tomou Jesus consigo os doze, e disse-lhes: Eis que
subimos a Jerusalém, e cumprir-se-á tudo o que os Profetas escreveram acerca do
Filho do homem. 32Porque aos gentios há de ser
entregue, e será escarnecido, açoitado e cuspido; 33e havendo-O açoitado, matá-lo-ão, e ao terceiro dia
ressuscitará. 34Eles nada entenderam, pois esse
discurso era para eles obscuro; e não penetravam o que lhes dizia. 35E aconteceu que, chegando Ele perto de Jericó,
estava um cego sentado junto ao caminho, a mendigar. 36E ouvindo muita gente passar, perguntou que era
aquilo. 37Disseram-lhe que passava Jesus
Nazareno. 38Ele clamou, dizendo: Jesus, Filho de
Davi2, tende piedade de mim. 39E os que iam adiante o repreendiam, para que se
calasse. Ele, porém, cada vez mais clamava: Filho de Davi, tende piedade de
mim. 40Jesus parou e mandou que o levassem à
sua presença. E, quando ele se aproximou, interrogou-o com estas palavras: 41Que queres que te faça? Ele respondeu: Senhor, que
eu veja. 42E Jesus lhe disse: Vê, a tua fé te
salvou. 43E logo o cego viu, e O foi seguindo,
glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, rendeu louvores a Deus.
2. Título messiânico por excelência.
CREDO... Concluímos a Ante-Missa com essa
profissão de fé.
Breve
compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja,
afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.
Ofertório / Salmo 118. 12-13
Com o
Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.
Benedíctus es, Dómine, doce me
iustificatiónes tuas: in lábiis meis pronuntiávi ómnia iudícia oris tui.
Bendito sois, Senhor; ensinai-me a
vossa lei. Com meus lábios pronunciei todos os ensinamentos de vossa boca.
Secreta
É a
antiga «oração sobre as oblatas», ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.
Hæc hóstia, Dómine, quǽsumus, emúndet
nostra delícta: et, ad sacrifícium celebrándum, subditórum tibi córpora
mentésque sanctíficet. Per Dominum nostrum Iesum Christum.
Nós Vos suplicamos, Senhor, que esta
hóstia nos purifique de nossos delitos, e santifique os corpos e as almas de
vossos servos para bem celebrarem este Sacrifício. Por Nosso Senhor Jesus
Cristo.
Communio / Salmo 77. 29-30
Alternando
com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão
dos fiéis.
Manducavérunt, et saturári sunt nimis,
et desidérium eórum áttulit eis Dóminus: non sunt fraudáti a desidério suo.
Comeram até ficarem muito fartos, e o
Senhor lhes satisfez o desejo; não foram iludidos em suas aspirações.
Postcommunio
Súplica a
Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.
Quǽsumus, omnípotens Deus: ut, qui cæléstia
aliménta percépimus, per hæc contra ómnia adversa muniámur. Per Dominum nostrum
Iesum Christum.
Nós Vos pedimos, ó Deus onipotente,
que, tendo recebido o celestial Alimento, por ele sejamos protegidos contra
todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Meditação
A Predição da Paixão
Ó Jesus, dai-me luz para compreender o mistério e o valor do sofrimento
cristão.
1
– Aproximando-se a Quaresma, tempo em que predomina a lembrança das dores de
Jesus, o Evangelho de hoje (Lc. 18, 31-43) anuncia-nos já a Sua Paixão. A predição é clara:
«O Filho do Homem será entregue aos gentios, e será escarnecido e açoitado e
cuspido; e, depois de o açoitarem, o matarão, e ressuscitará ao terceiro dia»,
todavia, como já de outras vezes sucedera, os Apóstolos «nada compreenderam, e
este discurso era para eles obscuro». Não compreenderam porque concebiam a
missão de Jesus como a de um conquistador terreno, que havia de restabelecer o
reino de Israel; não sonhando mais do que com triunfos e preocupados como
estavam em ocuparem os primeiros lugares do novo reino, qualquer alusão à
Paixão os alarmava e escandalizava.
Para
os que só pensam na prosperidade e glória terrenas, a linguagem da cruz é
incompreensível. Para aqueles que têm uma visão material das coisas, é muito
duro entender o seu significado espiritual e particularmente o significado do
sofrimento. Já S. Paulo dizia que Cristo crucificado era «escândalo para os
judeus e loucura para os gentios» (I Cor. 1, 23).
E Jesus, repreendendo S. Pedro que ao primeiro anúncio da Paixão tinha
exclamado: «Deus tal não permita, Senhor; não te sucederá isto», dissera com
energia: «Retira-te de mim, Satanás... porque não tens a sabedoria das coisas
de Deus, mas das coisas dos homens». (Mt. 16, 22 e 23).
Para
a sabedoria dos homens, o sofrimento é loucura incompreensível, assustadora, a
ponto de os fazer perder toda a confiança em Deus e de os levar a murmurar
contra a Providência divina. Para a sabedoria de Deus, porém, o sofrimento é
antes um meio de salvação e redenção. E assim como foi necessário que «Cristo
padecesse para entrar na sua glória» (cfr. Lc. 24, 26), do mesmo modo é necessário que o cristão passe
pelo crisol da dor a fim de chegar à santidade e à vida eterna.
2
– Só depois da descida do Espírito Santo os Apóstolos compreenderam plenamente
o significado da Paixão de Jesus e, longe de se escandalizarem, tiveram como a
maior honra, seguir e pregar a Cristo crucificado.
O
olhar humano não tem luz para compreender o valor da cruz; é necessária uma
nova luz, a luz do Espírito Santo. Não é sem razão que no Evangelho deste dia,
logo após a profecia da Paixão, se narra a cura do cego de Jericó. Perante o
mistério da dor, somos sempre um pouco cegos: quando o sofrimento nos fere no
que temos de mais querido, de mais íntimo, é fácil perdermo-nos e andarmos às
apalpadelas como os cegos, na incerteza, nas trevas. A Igreja convida-nos a
renovar hoje a oração do cego, tão cheia de fé: «Jesus, filho de David, tem
piedade de mim».
O
mundo admira-se frequentemente dos sofrimentos dos bons, e em vez de os animar
quando recorrem a Deus, procura afastá-los dEle, infundindo-lhes desconfiança e
falsos temores. As nossas próprias paixões e a tendência inata para gozar,
gritam tantas vezes dentro de nós querendo, sob mil pretextos, impedir-nos de
seguir Jesus crucificado. Permaneçamos firmes na fé como o pobre cego que, sem
se importar com a multidão que o impedia de se aproximar de Jesus, sem se deter
perante as censuras dos discípulos, que o queriam fazer calar, «cada vez
gritava mais», repetindo a sua prece.
Do
fundo dos nossos corações elevemos ao Senhor o nosso grito: «De profundis clamo
ad te, Dómine; Dómine, audi vocem meam» (Sal. 120). Não peçamos para nos livrar
do sofrimento, mas antes para sermos iluminados sobre o seu valor: «Senhor, que
eu veja!». Apenas o cego recuperou a vista, correu atrás de Jesus «glorificando
a Deus!». A luz sobrenatural que pedimos ao Senhor dar-nos-á a força de O
seguirmos, levando após Ele a nossa cruz.
MADALENA,
Padre Gabriel de Santa Maria. Intimidade Divina. 2. ed.
Porto: Edições Carmelitanas, 1967, p. 356-358.

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