«Liturgia da Santa Missa»
Ano 13 – nº 783 – 31 de agosto
de 2025
† 12º Domingo
depois de Pentecostes
verde – 2a. classe
Como Moisés aplacou
outrora a ira de Deus contra o seu povo (Ofertório), assim e muito mais ainda,
faz o novo Moisés – Jesus Cristo – para toda a humanidade. Feridos mortalmente,
jazíamos à beira do caminho, incapazes de nos levantarmos, quando vem Jesus, o
verdadeiro Samaritano, pensar e curar as nossas feridas (Evangelho). O Gradual
que liga as duas Leituras é um hino de louvor e ação de graças, por causa das
prerrogativas do Novo sobre o Antigo Testamento (Epístola). No Intróito a
humanidade decaída implora socorro. Também nas Orações pedimos o perdão e a
proteção de Deus. O Versículo da Comunhão, como no domingo passado, garante-nos
que a bênção de Deus e o seu auxílio nos vem pelo pão e pelo vinho
(Eucaristia). Na santa Comunhão nos dá o Samaritano [Jesus] o Sangue do seu
Coração, que nos fortalece para a vida eterna.
«Aproximou-se, então, ligou-lhe as feridas e deitou nelas óleo e vinho». Ev.
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Intróito / DEUS
IN ADIUTÓRIUM – Salmo 69. 2-4
Canto
solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou
solenidade do dia.
As horas canônicas começam todas pelo «Deus in adjutorium», que abre a
missa deste domingo. Era a oração incessante dos Padres do deserto.
Deus,
in adiutórium meum inténde: Dómine, ad adiuvándum me festína: confundántur et
revereántur inimíci mei, qui quærunt ánimam meam. Ps. Avertántur retrórsum et erubéscant:
qui cógitant mihi mala. ℣.
Glória Patri.
Ó Deus, vinde em meu
auxílio. Senhor, apressai-Vos em me socorrer. Confundam-se e envergonhem-se os
meus inimigos, que procuram tirar-me a vida. Sl. Voltem para trás e fiquem
envergonhados os que me querem mal. ℣. Glória ao Pai.
Oração (Colecta)
Pedimos
ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.
Omnípotens
et miséricors Deus, de cuius múnere venit, ut tibi a fidélibus tuis digne et
laudabíliter serviátur: tríbue, quǽsumus, nobis; ut ad promissiónes tuas sine
offensióne currámus. Per Dominum nostrum Iesum Christum.
Ó Deus onipotente e
misericordioso, que dais a vossos fiéis a graça de Vos oferecerem um culto
digno e louvável, concedei, Vos pedimos que, sem impedimento, corramos ao
encontro de vossas promessas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Epístola de
São Paulo Apóstolo aos Coríntios II. 3. 4-9
Leitura
ordinariamente extraída das epístolas ou cartas dos Apóstolos; daí o seu nome.
Pregador do Evangelho, S. Paulo tem consciência de exercer um ministério
incomparável, maior e mais aproximado de Deus que o do próprio Moisés.
Fratres:
Fidúciam talem habémus per Christum ad Deum: non quod sufficiéntes simus
cogitáre áliquid a nobis, quasi ex nobis: sed sufficiéntia nostra ex Deo est:
qui et idóneos nos fecit minístros novi testaménti: non líttera, sed spíritu:
líttera enim occídit, spíritus autem vivíficat. Quod si ministrátio mortis,
lítteris deformáta in lapídibus, fuit in glória; ita ut non possent inténdere
fili Israël in fáciem Moysi, propter glóriam vultus eius, quæ evacuátur:
quómodo non magis ministrátio Spíritus erit in glória? Nam si ministrátio
damnátionis glória est multo magis abúndat ministérium iustítiæ in glória.
Irmãos: 4Temos pelo
Cristo esta confiança em Deus: 5não
que sejamos capazes de atribuir-nos alguma coisa como nossa, porém, a nossa
capacidade vem de Deus. 6Ele
nos fez ministros idôneos do Novo Testamento; não segundo a letra, mas segundo
o Espírito, porque a letra mata, enquanto o Espírito vivifica. 7Se o ministério
da [lei que causou a] morte1, gravado com letras em pedras, foi de
tanta glória que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos na face de
Moisés, por causa do esplendor de seu semblante, que era passageiro, 8como não será de
maior glória o ministério do Espírito? 9Porque,
se o ministério da condenação já era tão glorioso, muito mais glorioso será o
ministério da justificação.
1. Chama-se «ministério de morte» moral à Lei
mosaica, porque dava ao homem a consciência do pecado, e, por isso, de pecador,
mas não o libertava dessa situação, o que seria próprio da Lei da Graça.
Gradual / Salmo
33. 2-3
Gradual e
Aleluia, são cantos intercalares, por via de regra, tirados dos salmos e que
traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou
sugeridos pelo Mistério do dia.
Benedícam Dóminum in omni témpore: semper laus eius in
ore meo. ℣. In
Dómino laudábitur ánima mea: áudiant mansuéti, et læténtur.
Bendirei ao Senhor em
todo o tempo; em minha boca estará sempre o seu louvor. ℣. No Senhor se gloriará
minha alma. Ouçam os humildes e se alegrem.
Aleluia / Salmo
87. 2
Allelúia,
alleluia. ℣. Dómine,
Deus salútis meæ, in die clamávi et nocte coram te. Allelúia.
Aleluia, aleluia. ℣. Senhor Deus de minha
salvação, de dia e de noite clamo diante de Vós. Aleluia.
Evangelho segundo
São Lucas 10. 23-37
Proclamação
solene da Palavra de Deus. Ponto culminante desta primeira parte da Missa, a
leitura ou canto do Evangelho, é revestida da maior solenidade. O respeito para
com ele, exige seja escutado de pé.
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, é o
primeiro mandamento da lei de Deus. Deste duplo amor, Jesus Cristo nos deixou o
maior exemplo que possa dar-se.
In
illo témpore: Dixit Iesus discípulis suis: Beáti óculi, qui vident quæ vos
videtis. Dico enim vobis, quod multi prophétæ et reges voluérunt vidére quæ vos
videtis, et non vidérunt: et audire quæ audítis, et non audiérunt. Et ecce,
quidam legisperítus surréxit, tentans illum, et dicens: Magister, quid faciéndo
vitam ætérnam possidébo? At ille dixit ad eum: In lege quid scriptum est?
quómodo legis? Ille
respóndens, dixit: Díliges Dóminum, Deum tuum, ex toto corde tuo, et ex tota
ánima tua, et ex ómnibus víribus tuis; et ex omni mente tua: et próximum tuum
sicut teípsum. Dixítque illi: Recte respondísti: hoc fac, et vives. Ille autem
volens iustificáre seípsum, dixit ad Iesum: Et quis est meus próximus?
Suscípiens autem Iesus, dixit: Homo quidam descendébat ab Ierúsalem in Iéricho,
et íncidit in latrónes, qui étiam despoliavérunt eum: et plagis impósitis
abiérunt, semivívo relícto. Accidit autem, ut sacerdos quidam descénderet eádem
via: et viso illo præterívit. Simíliter et levíta, cum esset secus locum et vidéret
eum, pertránsiit. Samaritánus autem quidam iter fáciens, venit secus eum: et
videns eum, misericórdia motus est. Et apprópians, alligávit vulnera eius,
infúndens óleum et vinum: et impónens illum in iuméntum suum, duxit in
stábulum, et curam eius egit. Et áltera die prótulit duos denários et dedit
stabulário, et ait: Curam illíus habe: et quodcúmque supererogáveris, ego cum
redíero, reddam tibi. Quis horum trium vidétur tibi próximus fuísse illi, qui
íncidit in latrónes? At lle dixit: Qui fecit misericórdiam in illum. Et ait
illi Iesus: Vade, et tu fac simíliter.
Naquele tempo, 23disse Jesus a
seus discípulos: Bem-aventurados os olhos que veem o que vós vedes! 24Porque vos digo,
muitos profetas e reis desejaram ver o que vedes, e não viram; e ouvir o que
ouvis, e não o ouviram. 25E
eis que um Doutor da lei se levantou para O tentar, e perguntou: Mestre, que hei
de fazer para possuir a vida eterna? 26Jesus
lhe disse: Que está escrito na lei? Como é que lês? 27Ele respondeu:
Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas
as tuas forças e de todo o teu entendimento, e a teu próximo como a ti mesmo. 28E Jesus lhe
disse: Respondeste bem; faze isto e viverás. 29Ele, porém,
querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? 30Em resposta,
Jesus disse: Um homem que descia de Jerusalém a Jericó, caiu nas mãos dos
ladrões. Estes o despojaram, e, depois de o ferirem, foram-se, deixando-o
semimorto. 31Ora,
sucedeu que um sacerdote desceu pelo mesmo caminho, e, vendo-o, passou de
largo. 32Igualmente,
chegou um levita perto do lugar e, vendo-o, passou adiante. 33Mas, um
Samaritano2, de viagem, passou pelo mesmo caminho, chegou perto
dele, e, quando o viu, compadeceu-se. 34Aproximou-se,
então, ligou-lhe as feridas e deitou nelas óleo e vinho; e, pondo-o sobre o seu
jumento, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. 35No outro dia
tirou dois dinheiros, deu-os ao hospedeiro e disse: Toma cuidado dele; e quanto
gastares a mais, quando voltar te pagarei. 36Qual
destes três te parece que se portou como o próximo daquele que caiu em poder
dos ladrões? 37O
doutor da lei respondeu: O que usou de misericórdia para com ele. Tornou-lhe
Jesus: Vai, e faze o mesmo.
2. Dum lado, o que há de mais respeitável em Israel
– um sacerdote; do outro, o estrangeiro e o herege.
CREDO... Concluímos a Ante-Missa com essa
profissão de fé.
Breve
compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja,
afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.
Ofertório / Êxodo
32. 11,
13, 14
Com o
Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.
Precátus
est Moyses in conspéctu Dómini, Dei sui, et dixit: Quare, Dómine, irascéris in
pópulo tuo? Parce iræ ánimæ tuæ: meménto Abraham, Isaac et Iacob, quibus
iurásti dare terram fluéntem lac et mel. Et placátus factus est Dóminus de
malignitáte, quam dixit fácere pópulo suo.
Orou Moisés na presença
do Senhor, seu Deus, e disse: Por que Vos irritais, Senhor, contra o vosso
povo? Abrandai o vosso furor. Lembrai-Vos de Abraão, de Isaac e de Jacó; a eles
jurastes dar uma terra, onde corre o leite e o mel. Então, o Senhor se aplacou
e desistiu do mal que pretendera fazer a seu povo.
Secreta
É a
antiga «oração sobre as oblatas», ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.
Hóstias,
quǽsumus, Dómine, propítius inténde, quas sacris altáribus exhibémus: ut, nobis
indulgéntiam largiéndo, tuo nómini dent honórem. Per Dominum nostrum Iesum
Christum.
Atendei, Senhor,
benignamente ao Sacrifício que oferecemos sobre os santos altares, para que,
alcançando-nos o perdão, ele honre o vosso Nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Communio / Salmo
103. 13,
14-15
Alternando
com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão
dos fiéis.
De
fructu óperum tuórum, Dómine, satiábitur terra: ut edúcas panem de terra, et
vinum lætíficet cor hóminis: ut exhílaret fáciem in oleo, et panis cor hóminis
confírmet.
Senhor, com o fruto de
vossas obras saciais a terra; fazeis a terra produzir o pão e o vinho que
alegra o coração do homem, pois, o óleo torna jubilosa a sua face e o pão
fortifica o seu coração.
Postcommunio
Súplica a
Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.
Vivíficet
nos, quǽsumus, Dómine, huius participátio sancta mystérii: et páriter nobis
expiatiónem tríbuat et múnimen. Per Dominum nostrum Iesum Christum.
Fazei, Senhor, Vo-lo
pedimos, que a santa participação neste Mistério nos vivifique e nos obtenha
perdão e proteção ao mesmo tempo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Meditação
O Bom Samaritano
Senhor, gravai no
meu coração o exemplo e o mandamento da Vossa caridade.
1
– «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos ladrões que o
despojaram, tendo-lhe feito feridas e retiraram-se deixando-o meio morto» –
diz-nos o Evangelho do dia (Lc. 10, 23-37). Este infeliz pode representar
qualquer de nós; também nós encontramos ladrões no nosso caminho: o mundo, o
demônio, as paixões, que nos despojaram e feriram. Quem poderá dizer que não
tem na sua alma nenhuma ferida mais ou menos profunda, consequência das
tentações e do pecado? Mas também saiu ao nosso encontro um bom samaritano, o
bom samaritano por excelência, Jesus, o qual movido de compaixão pelo nosso
estado, nos prestou auxílio. Curvou-Se sobre as nossas chagas sangrentas com um
amor infinito, tratando-as com o azeite e o vinho da graça: o azeite indica a suavidade
e o vinho o vigor. Depois tomou-nos nos Seus braços e levou-nos a um refúgio
seguro, confiou-nos aos cuidados maternais da Igreja, à qual entregou o preço
do nosso resgate, fruto da Sua morte de cruz.
A parábola do bom samaritano esboça
desta forma a história da nossa redenção, história sempre em ato e que se
renova cada vez que nos aproximamos de Jesus, mostrando-Lhe com humildade e
arrependimento as feridas da nossa alma. Isto realiza-se de um modo particular
na Santa Missa, na qual Jesus apresenta ao Pai o preço da nossa salvação,
renovando a Sua imolação a favor das nossas almas. Devemos assistir à Santa
Missa para nos encontrarmos com Ele, o bom Samaritano, para invocarmos e
recebermos em nós a Sua ação curativa e santificadora. Quanto mais conscientes
estivermos da nossa miséria e mais vivamente sentirmos a necessidade da Sua
redenção, tanto mais Jesus nos aplicará os seus frutos com liberalidade e, ao
vir a nós na Sagrada Comunhão, curará não somente as nossas feridas exteriores,
mas também as interiores, banhando-as abundantemente com o azeite suavíssimo e
com o vinho tonificante da Sua graça.
É assim que Jesus nos trata; assim
tratou a humanidade que, por causa do pecado, Lhe era estranha, ou antes,
inimiga e nada tinha a ver com Ele, o Santo, o Filho de Deus!
2 – Jesus, mediante a Sua obra
redentora, foi o primeiro que nos deu o exemplo de uma caridade cheia de
misericórdia e compaixão e tinha o pleno direito de concluir a parábola do bom
samaritano, dizendo: «Vai e faz tu o mesmo»; teria podido acrescentar, como
dirá na noite da última ceia aos Seus Apóstolos: «Dei-vos o exemplo para que,
como eu vos fiz, assim façais vós também» (Jo. 13, 15).
Por próximo, os escribas e fariseus
entendiam só os amigos ou, quando muito, os israelitas, mas não os pagãos, nem
sequer os samaritanos. E eis que o Salvador, ultrapassando uma interpretação
tão mesquinha, propõe como exemplo concreto da caridade preceituada pela lei,
um ato de caridade praticado para com um inimigo. O bom samaritano, não levando
em conta o ódio que os judeus alimentavam contra o seu povo, presta socorro ao
pobre judeu abandonado pelo sacerdote e pelo levita, seus compatriotas.
Esta caridade universal será o
distintivo da nova religião instaurada por Cristo. «A religião pura e sem
mácula aos olhos de Deus – escreverá S. Tiago – é esta: visitar os órfãos e as
viúvas nas suas tribulações» (1, 27); ou seja, não há verdadeira religião sem
caridade para com o próximo, sobretudo para com o próximo que sofre. Os
escribas, os fariseus e os próprios sacerdotes que tinham reduzido a religião a
um puro formalismo exterior, enquanto desprezavam com tanta desenvoltura os
deveres da caridade, encontravam a sua condenação na parábola do samaritano.
Infelizmente também entre os cristãos não faltam pessoas devotas que têm
escrúpulos de omitir a menor prática de piedade e não hesitam em abandonar à
sua sorte aquele que sofre. Não compreenderam a alma da religião, mas pararam
nas aparências. A religião dá-nos o sentido profundo das nossas relações com
Deus: Ele é nosso Pai e nós somos Seus Filhos; mas, se somos filhos do mesmo
Pai, como não nos sentimos irmãos? Eis em que consiste a verdadeira piedade: em
ter o sentido da nossa filiação divina, o sentido da nossa fraternidade com
todos os homens, não excetuando nenhum. E os que se sentem verdadeiramente
irmãos, jamais reivindicarão direitos em face das necessidades e sofrimentos
alheios.
MADALENA,
Padre Gabriel de Santa Maria. Intimidade Divina. 2. ed.
Porto: Edições Carmelitanas, 1967, p. 1056-1058.

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