«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 749 – 5 de janeiro
de 2025
† Festa do Santíssimo
Nome de Jesus
Solenidade da Epifania
branco
– 2ª classe.
Epifania, como dizem os gregos, ou aparição, é a
segunda solenidade no ciclo de Natal. Jubilosos celebramos com a santa Igreja a
entrada solene do Cristo-Rei no mundo, na humanidade, na alma de cada um de
nós. Aquele que nascera no silêncio da santa noite de Natal, manifesta-se agora
aos olhos do mundo. O Rei da eterna glória entra em sua cidade, a nova
Jerusalém, a santa Igreja.
Os Ofícios litúrgicos, e especialmente o da
madrugada, Laudes, falam de uma tríplice manifestação de Jesus. Diz a Antífona:
«Hoje o Esposo celestial se uniu à Igreja, porque o Cristo lavou no Jordão os
crimes de sua Esposa». No batismo de Jesus, o Padre Eterno deu testemunho a seu
Filho: «Este é o meu Filho, a Ele deveis ouvir». – «Os Magos se apressam para
as núpcias do Rei, com as suas dádivas» (Evangelho). Com os Magos, somos também
nós convidados a apresentar no Ofertório a nossa dádiva: o dom de nós mesmos. E
finalmente conclui a Antífona: «E a água se transforma em vinho e os convidados
se alegram. Aleluia». Nas bodas de Caná, manifestou-se pela vez primeira o
poder divino-real de Jesus Cristo. Assim como os convidados se alegram, nós nos
alegramos pela transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do
Salvador, que nos é proposto no banquete nupcial da Eucaristia.
A basílica de S. Pedro foi escolhida para a
celebração da Missa, neste dia, porque a Epifania, desde os tempos mais
remotos, é uma das maiores solenidades.
Oferecemo-nos com o Cristo (Secreta) e recebemos o Cristo
(Post communio). A vida interior do Cristão é uma reprodução da vida do
Cristo. O fim da Igreja, celebrando o Ano eclesiástico, é este: assim como Jesus
se manifestou aos Magos, pedimos que se manifeste a cada Cristão, pela luz da
fé.
«Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos com presentes adorar o Senhor». Comm.
Intróito / ECCE ADVÉNIT – Malaquias 3. 1; I Crônicas 29. 12; Sl. 71.1
Canto
solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou
solenidade do dia.
Ecce, advénit dominátor Dóminus: et
regnum in manu eius et potéstas et impérium. Ps. Deus, iudícium tuum Regi da:
et iustítiam tuam Fílio Regis. ℣. Glória Patri.
Eis que aí vem o soberano Senhor; em
sua mão está o Reino, o Poder e o Império. Sl. Ó Deus, dai o vosso julgamento
ao Rei; e a vossa justiça ao Filho do Rei. ℣. Glória ao Pai.
Oração (Colecta)
Pedimos
ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.
Deus, qui hodiérna die Unigénitum tuum
géntibus stella duce revelásti: concéde propítius; ut, qui iam te ex fide
cognóvimus, usque ad contemplándam spéciem tuæ celsitúdinis perducámur. Per
eundem Dominum nostrum Iesum Christum.
Ó Deus, que no dia de hoje
manifestastes o vosso Unigénito aos gentios, guiados por uma estrela, concedei
propício, que, conhecendo-Vos pela fé, cheguemos também a contemplar o
Esplendor de vossa Majestade. Pelo mesmo Jesus Cristo.
Epístola Extraída do profeta Isaias 60. 1-6
Leitura ordinariamente
extraída das epístolas ou cartas dos Apóstolos; daí o seu nome.
O Profeta refere-se a Jerusalém. A imagem é inspirada no espetáculo que
oferece, todas as manhãs, a Cidade Santa: iluminada pelos primeiros raios do
sol, dir-se-ia um foco radiante de luz. Jerusalém, figura da Igreja,
tornar-se-á a «luz das Nações»; de todos os lados, reis e povos a ela
acorrerão, atraídos pelo brilho da sua glória.
Surge, illumináre, Ierúsalem: quia venit
lumen tuum, et glória Dómini super te orta est. Quia ecce, ténebræ opérient
terram et caligo pópulos: super te autem oriétur Dóminus, et glória eius in te
vidébitur. Et ambulábunt gentes in lúmine tuo, et reges in
splendóre ortus tui. Leva
in circúitu óculos tuos, et vide: omnes isti congregáti sunt, venérunt tibi:
fílii tui de longe vénient, et fíliæ tuæ de látere surgent. Tunc vidébis et
áfflues, mirábitur et dilatábitur cor tuum, quando convérsa fúerit ad te
multitúdo maris, fortitúdo géntium vénerit tibi. Inundátio camelórum opériet te
dromedárii Mádian et Epha: omnes de Saba vénient, aurum et thus deferéntes, et
laudem Dómino annuntiántes.
1Levanta-te, Jerusalém, e resplandece, porque já veio a tua luz, e a
glória do Senhor nasceu sobre ti. 2Porque eis que as trevas
cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti se levanta o Senhor e em
ti se manifesta a sua glória. 3E as nações caminham ao fulgor
de tua luz, e os reis, ao esplendor de tua aurora. 4Ergue os olhos em derredor e vê: todos os povos se congregam e vêm a ti;
teus filhos vêm de longe e tuas filhas surgem de todos os lados. 5Então, verás e transbordarás de alegria, teu coração se maravilhará e
se dilatará, quando a ti vier a multidão de além dos mares, e os grandes dentre
os pagãos se acercarem de ti. 6Serás como inundada pela
afluência de camelos e dromedários de Madian e Efa; todos virão de Sabá,
trazendo ouro e incenso e proclamando os louvores do Senhor.
Gradual / Isaías 60. 6, 1
Gradual e
Aleluia, são cantos intercalares, por via de regra, tirados dos salmos e que
traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou
sugeridos pelo Mistério do dia.
Omnes de Saba vénient, aurum et thus
deferéntes, et laudem Dómino annuntiántes. ℣. Surge et illumináre, Ierúsalem: quia glória
Dómini super te orta est.
Todos virão de Sabá, trazendo ouro e
incenso e proclamando os louvores do Senhor. ℣. Levanta-te, Jerusalém, e
resplandece, porque a glória do Senhor se levantou sobre ti.
Aleluia / Mateus 2. 2
Allelúia, allelúia. ℣. Vídimus stellam eius in Oriénte,
et vénimus cum munéribus adoráre Dóminum. Allelúia.
Aleluia, aleluia. ℣. Vimos a sua estrela no Oriente, e
viemos com presentes adorar o Senhor. Aleluia.
Evangelho segundo São Mateus 2. 1-12
Proclamação
solene da Palavra de Deus. Ponto culminante desta primeira parte da Missa, a
leitura ou canto do Evangelho, é revestida da maior solenidade. O respeito para
com ele, exige seja escutado de pé.
«Aquele que os Magos adoraram, menino num presépio, adoremo-Lo nós,
onipotente nos Céus; e do mesmo modo que os Reis o presentearam com seus
tesouros, presenteemo-Lo também, em nossos corações, com ofertas dignas de
Deus» (S. Leão, em Matinas).
Cum natus esset Iesus in Béthlehem Iuda
in diébus Heródis regis, ecce, Magi ab Oriénte venerunt Ierosólymam, dicéntes:
Ubi est, qui natus est rex Iudæórum? Vidimus enim stellam eius in Oriénte, et
vénimus adoráre eum. Audiens autem Heródes rex, turbatus est, et omnis
Ierosólyma cum illo. Et cóngregans omnes principes sacerdotum et scribas
pópuli, sciscitabátur ab eis, ubi Christus nasceretur. At illi dixérunt ei: In
Béthlehem Iudae: sic enim scriptum est per Prophétam: Et tu, Béthlehem terra
Iuda, nequaquam mínima es in princípibus Iuda; ex te enim éxiet dux, qui regat
pópulum meum Israel. Tunc Heródes, clam vocátis Magis, diligénter dídicit ab
eis tempus stellæ, quæ appáruit eis: et mittens illos in Béthlehem, dixit: Ite,
et interrogáte diligénter de púero: et cum invenéritis, renuntiáte mihi, ut et
ego véniens adórem eum. Qui cum audíssent regem, abiérunt. Et ecce, stella,
quam víderant in Oriénte, antecedébat eos, usque dum véniens staret supra, ubi
erat Puer. Vidéntes autem stellam, gavísi sunt gáudio magno valde. Et intrántes
domum, invenérunt Púerum cum María Matre eius, hic genuflectitur ei procidéntes
adoravérunt eum. Et, apértis thesáuris suis,
obtulérunt ei múnera, aurum, thus et myrrham. Et re sponso accépto in somnis,
ne redírent ad Heródem, per aliam viam revérsi sunt in regiónem suam.
1Tendo Jesus nascido em Belém de Judá, nos dias do Rei Herodes, eis que do
Oriente vieram uns Magos a Jerusalém, 2perguntando: Onde está o
recém-nascido, Rei dos Judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos
adorá-Lo. 3Ouvindo isto, o rei Herodes turbou-se
e com ele toda a Jerusalém. 4E convocando todos os
príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, indagava deles onde o Cristo
nasceria. 5E eles disseram: Em Belém de Judá,
porque assim está escrito pelo Profeta1: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais
cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de governar o meu povo de
Israel. 7Então Herodes, chamando secretamente
os Magos, inquiriu cuidadosamente deles o tempo em que lhes aparecera a
estrela. 8E enviando-os a Belém, disse-lhes:
Ide e perguntai diligentemente pelo Menino, e assim que O achardes, fazei-mo
saber para que eu vá também e O adore. 9Tendo eles ouvido as palavras
do Rei, foram-se. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante
deles, até que chegando, parou sobre o lugar em que estava o Menino. 10Vendo a estrela, exultaram com grandíssima alegria. 11E entraram na casa, e acharam o Menino com Maria, sua Mãe [aqui todos
se ajoelham] e, prostrando-se, O adoraram. E abertos os seus tesouros,
ofereceram-Lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, sendo avisados em sonho que não voltassem a Herodes, regressaram por
outro caminho a seu país.
1 Miqueias 5. 1
CREDO... Concluímos a Ante-Missa com essa
profissão de fé.
Breve
compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja,
afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.
Ofertório / Salmo 71. 10-11
Com o
Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.
Reges Tharsis, et ínsulæ múnera
ófferent: reges Arabum et Saba dona addúcent: et adorábunt eum omnes reges
terræ, omnes gentes sérvient ei.
Os reis de Társis e das ilhas
oferecer-Lhe-ão presentes; os reis da Arábia e de Sabá trarão donativos;
adorá-Lo-ão todos os reis da terra e os povos todos O servirão.
Secreta
É a
antiga «oração sobre as oblatas», ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.
Ecclésiæ tuæ, quǽsumus, Dómine, dona
propítius intuere: quibus non iam aurum, thus et myrrha profertur; sed quod
eisdem munéribus declarátur, immolátur et súmitur, Iesus Christus, fílius tuus,
Dóminus noster: Qui tecum vivit.
Nós Vos suplicamos, Senhor, olhai
propício para as ofertas de vossa Igreja, que não mais Vos oferece ouro,
incenso e mirra, porém Aquele mesmo que estes dons simbolizam e que é agora
imolado e recebido como Alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor,
que, sendo Deus, convosco vive e reina.
Communio / Mateus 2. 2
Alternando
com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão
dos fiéis.
Vídimus stellam eius in Oriénte, et
vénimus cum munéribus adoráre Dóminum.
Vimos a sua estrela no Oriente, e
viemos com presentes adorar o Senhor.
Postcommunio
Súplica a
Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.
Præsta, quǽsumus, omnípotens Deus: ut,
quæ sollémni celebrámus officio, purificátæ mentis intellegéntia consequámur. Per
Dominum nostrum Iesum Christum.
Fazei, nós Vos pedimos, ó Deus onipotente,
que alcancemos com inteligência e pureza de alma o Mistério que celebramos com
tão festivo ofício. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Meditação
A Epifania
Ó pequenino Jesus,
em Vós reconheço o Rei dos céus e da terra: fazei que eu Vos possa adorar com a
fé e o amor dos Magos.
1 — «Hoje
o mundo reconheceu Aquele que a Virgem deu à luz... Hoje refulge a festa da Sua
manifestação» (BR.). Hoje Jesus manifesta-Se ao mundo
como Deus.
O
Intróito da Missa introduz-nos diretamente neste espírito, apresentando-nos
Jesus na majestade real da Sua divindade: «Eis que veio o soberano Senhor: Ele
tem nas Suas mãos o cetro, o poder e o império». A Epístola (Is. 60, 1-6) prorrompe num hino de glória anunciando a vocação dos gentios à fé;
também eles reconhecerão e adorarão em Jesus o seu Deus. «Levanta-te e
resplandece, Jerusalém, porque veio a tua luz... E as nações caminharão à tua
luz e os reis ao resplendor da tua aurora... Todos virão de Sabá trazendo ouro
e incenso e publicando os louvores do Senhor». Já não se vê, à volta do
presépio, a humilde presença dos pastores, mas o faustoso cortejo dos Magos que
vieram do Oriente como representantes dos povos pagãos e de todos os reis da
terra, para prestarem homenagem ao Deus Menino.
Epifania
(ou Teofania) quer dizer «manifestação de Deus»; e esta manifestação de Deus
vemo-la realizada em Jesus que hoje Se manifesta ao mundo como seu Deus e
Senhor. Já um primeiro prodígio, o da nova estrela aparecida no Oriente,
revelara a Sua divindade; mas à recordação deste milagre que ocupa o primeiro
lugar na liturgia deste dia, a Igreja junta mais dois: a água convertida em
vinho nas bodas de Caná, e o Batismo de Jesus no rio Jordão, enquanto uma voz,
vinda do céu, atesta: «Este é o meu Filho muito amado». «Três milagres
ilustraram o santo dia que hoje celebramos», canta a Antífona do Magnificat:
três milagres que devem dispor-nos para reconhecer e adorar com fé viva, no
Menino Jesus, o nosso Deus, o nosso Rei.
2 —
«Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor». Nestes
versículos da Missa de hoje está sintetizada a conduta dos Magos. Ver a estrela
e pôr-se a caminho, foi obra de um momento. Não duvidaram porque a sua fé era
firme, segura e inteira. Não hesitaram perante a fadiga da longa viagem,
porque o seu coração era generoso. Não deixaram para mais tarde, porque a sua
alma estava pronta.
No céu
das nossas almas também aparece frequentemente uma estrela: uma inspiração
íntima e clara de Deus, que nos convida a um ato de generosidade, de
desprendimento, a uma vida de maior intimidade com Ele. Devemos saber sempre
seguir a nossa estrela com a fé, com a generosidade e com a prontidão dos Magos.
Seguida assim, conduzir-nos-á sem dúvida ao encontro do Senhor, far-nos-á achar
Aquele que procuramos.
Os Magos
perseveraram na sua busca mesmo quando a estrela desapareceu aos seus olhos; da
mesma forma devemos nós perseverar no bem mesmo através das trevas interiores:
é a prova da fé, que somente se pode superar com um intenso exercício de fé
pura e nua. Sei que Deus assim o quer, sei que Deus me chama e isto basta: Scio
cui credidi et certus sum (II Tim. 1, 12); sei quem é aquele em quem
acreditei e aconteça o que acontecer nunca poderei duvidar dEle.
Com estas
disposições vamos com os Magos ao presépio. «E assim como aqueles ofereceram,
dos seus tesouros, místicos dons ao Senhor, saibamos nós também tirar dos
nossos corações dons dignos de Deus» (BR.).
MADALENA,
Padre Gabriel de Santa Maria. Intimidade Divina. 2. ed.
Porto: Edições Carmelitanas, 1967, p. 169-171.

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