«Liturgia da Santa Missa»
Ano 14 – nº 738 – 20 de outubro
de 2024
† 22º Domingo
depois de Pentecostes
verde – 2a. classe
Irrepreensíveis, deve encontrar-nos o Cristo no dia
do juízo. O espírito de humildade e penitência (Intróito, Ofertório e Communio)
é, portanto, muito necessário neste tempo, assim como uma consciência nítida de
nossos deveres. Quais são esses deveres, vemos na Epístola, pelo próprio
exemplo que nos dá o Apóstolo S. Paulo: vemos ainda no Gradual, que é um louvor
da caridade fraterna. Finalmente, no Evangelho, Jesus Cristo nos ensina as
nossas obrigações para com a autoridade civil, e antes de tudo, o dever que
temos de entregar, sem reservas, a nossa alma a Deus.
«Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» Ev.
Avisos Paroquiais
Hoje, Domingo, às 16h,
Santa Missa e Procissão na Festa de Santa Edwiges, no Loteamento Santa Edwiges,
no Bairro Aristides Figueiredo.
Atenção para os horários das Santas Missas neste Domingo:
– às 7h, 9h e 19h em
nossa igreja matriz;
– às 10h, na Capela de
Santo Antônio, em Córrego Seco;
– às 16h, no Loteamento
de Santa Edwiges.
– às 19h, na Capela de Nossa Senhora de Fátima, em Santa Maria de Campos;
Serão transmitidas,
direto da nossa igreja matriz, a Santa Missa das 7h, pela Rádio Bom Jesus FM
89.3, pelo Facebook e YouTube, e a Santa Missa das 19h, pelo Facebook e
YouTube.
Redes Sociais:
Facebook – https://www.facebook.com/ParoquiadoSenhorBomJesusCrucificado
(Transmissão ao Vivo – Santa Missa 7h e 19h)
YouTube – https://www.youtube.com/c/ParoquiadoSenhorBomJesusCrucificado
(Transmissão ao Vivo – Santa
Missa 7h e 19h)
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(Transmissão ao Vivo – Santa Missa 7h e 19h)
E-mail – bomjesuscrucificado@gmail.com
Intróito
/ SI INIQUITATES – Salmo 129. 3-4, 1-2
Canto
solene de entrada, o Introito como que enuncia o tema geral da Missa ou
solenidade do dia.
Na esteira do pensamento de Jesus, a Igreja pede a Deus que esqueça as faltas
dos homens e somente dê ouvidos à sua misericórdia.
Si iniquitátes observáveris, Dómine: Dómine, quis
sustinébit? quia apud te propitiátio est, Deus Israël. Ps. De profúndis clamávi
ad te, Dómine: Dómine, exáudi vocem meam. ℣. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
Se
observardes, Senhor, as nossas iniquidades, Senhor, quem subsistirá? Mas, tudo
em Vós é clemência, ó Deus de Israel. Sl. Das profundezas do abismo clamei a
Vós, Senhor! Senhor, escutai a minha voz. ℣. Glória ao Pai.
Oração (Colecta)
Pedimos
ao Senhor aquilo de que precisamos nesse dia para a nossa salvação.
Deus, refúgium nostrum et virtus: adésto piis Ecclésiæ tuæ
précibus, auctor ipse pietátis, et præsta; ut, quod fidéliter pétimus,
efficáciter consequámur Per Dominum nostrum Iesum Christum.
Ó Deus, nosso refúgio e força, atendei às piedosas súplicas
de vossa Igreja, e, porque, sois o próprio Autor da piedade, fazei que
realmente consigamos o que com viva confiança pedimos. Por Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Epístola de S. Paulo Apóstolo aos Filipenses 1. 6-11
Leitura
ordinariamente extraída das epístolas ou cartas dos Apóstolos; daí o seu nome.
Na expectativa do «regresso do Senhor», a Igreja prossegue a sua obra de
evangelização. A sua alegria, como a de S. Paulo, é ver a vida cristã
expandir-se no mundo; e o seu desejo é vê-la progredir em cada um de nós até ao
dia do juízo.
Fratres: Confídimus in Dómino Iesu, quia, qui coepit in
vobis opus bonum, perfíciet usque in diem Christi Iesu. Sicut est mihi iustum
hoc sentíre pro ómnibus vobis: eo quod hábeam vos in corde, et in vínculis
meis, etin defensióne, et confirmatióne Evangélii, sócios gáudii mei omnes vos
esse. Testis enim mihi est Deus, quómodo cúpiam omnes vos in viscéribus Iesu
Christi. Et hoc oro, ut cáritas vestra magis ac magis abúndet in sciéntia et in
omni sensu: ut probétis potióra, ut sitis sincéri et sine offénsa in diem
Christi, repléti fructu iustítiæ per Iesum Christum, in glóriam et laudem Dei.
Irmãos: 6Tenho firme confiança no Senhor
Jesus, que Aquele que em vós começou a boa obra, há de completá-la até o dia do
Cristo Jesus.1 7É justo
que eu tenha este sentir de vós todos, porque, vos tenho no coração, e quer em
minhas prisões, quer na defesa e continuação do Evangelho, todos sois participantes
de minha alegria. 8Deus me é
testemunha da ternura com que amo a todos vós no afeto íntimo de Jesus Cristo. 9O que Lhe peço é que a vossa
caridade aumente mais e mais, em conhecimento e compreensão,10para que
aprecieis o que é melhor; a fim de que sejais puros e sem mancha para o dia de
Cristo, 11cheios de
frutos de justiça, por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.
1. O dia da vinda gloriosa de Jesus, no fim dos
tempos.
Gradual / Salmo 132. 1-2
Gradual e
Aleluia, são cantos intercalares, por via de regra, tirados dos salmos e que
traduzem os devotos afetos produzidos na alma pela leitura da Epístola ou
sugeridos pelo Mistério do dia.
Ecce, quam bonum et quam iucúndum, habitáre fratres in unum! ℣. Sicut unguéntum in cápite, quod
descéndit in barbam, barbam Aaron.
Vede quanto é bom e suave que os
irmãos vivam unidos! ℣. É como o óleo precioso sobre a
cabeça, o qual escorre sobre a barba e por toda a barba de Aarão.
Aleluia / Salmo 113. 11
Allelúia, allelúia.
℣. Qui timent
Dóminum sperent in eo: adiútor et protéctor eórum est. Allelúia.
Aleluia, aleluia. ℣. Os que temem o Senhor, confiem n'Ele, pois, Ele é o seu amparo
e o seu protetor. Aleluia.
Evangelho segundo São Mateus 22. 15-21
Proclamação
solene da Palavra de Deus. Ponto culminante desta primeira parte da Missa, a
leitura ou canto do Evangelho, é revestida da maior solenidade. O respeito para
com ele, exige seja escutado de pé.
O desobrigarmo-nos de nossos deveres para com os homens não deve, de maneira
nenhuma, subtrair-nos ao soberano domínio de Deus.
In illo
témpore: Abeúntes pharisaei consílium iniérunt, ut cáperent Iesum in sermóne.
Et mittunt ei discípulos suos cum Herodiánis, dicéntes: Magíster, scimus, quia
verax es et viam Dei in veritáte doces, et non est tibi cura de áliquo: non
enim réspicis persónam hóminum: dic ergo nobis, quid tibi vidétur, licet censum
dare Caesari, an non? Cógnita autem Iesus nequítia eórum, ait: Quid me tentátis,
hypócritæ? Osténdite mihi numísma census. At illi obtulérunt ei denárium. Et
ait illis Iesus: Cuius est imágo hæc et superscríptio? Dicunt ei: Caesaris. Tunc
ait illis: Réddite ergo, quæ sunt Caesaris, Caesari; et, quæ sunt Dei, Deo.
Naquele
tempo, 15retiraram-se
os fariseus para consultarem entre si a ver como apanhariam a Jesus em alguma
palavra. 16E
enviaram-Lhe seus discípulos com alguns herodianos, dizendo: Mestre, sabemos
que sois amigo da verdade e que ensinais o caminho de Deus, segundo a verdade,
sem Vos preocupardes com quem quer que seja, porque, não julgais o homem
segundo a sua carne. 17Dizei-nos,
pois, o vosso parecer. É lícito pagar o tributo a César, ou não? 18Conheceu porém, Jesus, a sua
maldade, e disse: Por que, me tentais hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do tributo. Eles
Lhe apresentaram um dinheiro. 20E Jesus
lhes disse: De quem é esta imagem e esta inscrição? 21Responderam-Lhe: De César. Então Ele
lhes replicou: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
CREDO... Concluímos a Ante-Missa com essa
profissão de fé.
Breve
compêndio das verdades cristãs e Símbolo da fé católica. Com a Igreja,
afirmemo-las publicamente e renovemos a profissão de fé que fizemos no Batismo.
Ofertório / Ester 14. 12-13
Com o
Ofertório, começa a segunda parte da Missa ou Sacrifício propriamente dito.
Recordáre mei, Dómine, omni potentátui dóminans: et da
sermónem rectum in os meum, ut pláceant verba mea in conspéctu príncipis.
Lembrai-Vos
de mim, Senhor, Vós que estais acima de todo o poder; ponde em minha boca
palavras justas para que sejam agradáveis ao príncipe.
Secreta
É a
antiga «oração sobre as oblatas», ponto de ligação entre o Ofertório e o Cânon.
Da, miséricors Deus: ut hæc salutáris oblátio et a
própriis nos reátibus indesinénter expédiat, et ab ómnibus tueátur advérsis. Per
Dominum nostrum Iesum Christum.
Concedei, ó
Deus de misericórdia, que esta salutar oblação nos livre inteiramente das
cadeias de nossas próprias culpas, e nos defenda de todas as adversidades. Por
Nosso Senhor Jesus Cristo.
Communio / Salmo 16. 6
Alternando
com o canto dum salmo, acompanhava (e ainda hoje pode acompanhar) a comunhão
dos fiéis.
Ego clamávi, quóniam exaudísti me, Deus: inclína aurem
tuam et exáudi verba mea.
Eu clamei
por Vós, ó Deus, pois, Vós me ouvis; inclinai os vossos ouvidos e atendei às
minhas súplicas.
Postcommunio
Súplica a
Deus para que nos conceda os frutos do Sacrifício.
Súmpsimus, Dómine, sacri dona mystérii, humíliter
deprecántes: ut, quæ in tui commemoratiónem nos fácere præcepísti, in nostræ profíciant
infirmitátis auxílium: Qui vivis et regnas.
Tendo
recebido os Dons do Sagrado Mistério, com humildade Vos rogamos, Senhor, que
sirva de socorro à nossa fraqueza o Sacrifício que em vossa memória nos
mandastes oferecer. Vós que, sendo Deus, viveis e reinais.
Meditação
Os Nossos Deveres
Ensinai-me, Senhor,
a cumprir todos os meus deveres em homenagem à Vossa soberana Majestade.
1 – Os ensinamentos contidos na Missa
deste domingo podem sintetizar-se na conhecida frase de Jesus que lemos no
Evangelho (Mt. 22, 15-21): «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de
Deus»; por outras palavras: cumpri com exatidão os vossos deveres para com Deus
e para com o próximo, dando a cada um o que lhe pertence.
A Epístola (Fil. 1, 6-11)
apresenta-nos S. Paulo como modelo de caridade para com aqueles que Deus
confiou aos nossos cuidados: «Tenho-vos no coração, vós todos que, quer nas
minhas cadeias, quer na defesa e confirmação do Evangelho, sois participantes
da minha alegria». S. Paulo sente vivamente a sua paternidade espiritual para
com as almas que gerou para Cristo; embora longe, sente-se responsável pelos
seus êxitos, preocupa-se com a sua perseverança no bem, ampara-as com o seu
afeto paternal e com os seus prudentes conselhos: «Confio que Aquele que
começou em vós a boa obra, a completará até ao dia de Cristo Jesus». Não quer
que se perturbem por ele estar longe: não é senão um pobre instrumento, só Deus
é o verdadeiro guia das almas e Deus continuará a obra começada; quanto a ele,
podem ter a certeza de que não cessa de os amar: «Deus me é testemunha de que
modo vos amo a todos nas entranhas de Jesus Cristo».
S. João Crisóstomo diz que o coração
de S. Paulo é o Coração de Cristo por causa do seu grande amor às almas que o
torna muito semelhante ao Redentor. Se Deus pôs uma alma no nosso caminho
pedindo-nos que nos ocupássemos dela, não podemos desinteressar-nos; essa alma
fica doravante unida à nossa, devemos sentir-nos responsáveis por ela e
obrigados a ajudá-la até ao fim.
Depois de nos ter falado da
solidariedade que devemos ter para com os que foram confiados aos nossos
cuidados, a Epístola lembra-nos também a caridade em geral a respeito do
próximo: «que a vossa caridade cresça mais e mais em ciência e em todo o
conhecimento». Trata-se de uma caridade cada vez mais delicada na compreensão
da alma dos outros, cada vez mais perspicaz em se adaptar às mentalidades, às
exigências e aos gostos alheios; uma caridade que deve impelir-nos, como diz S.
Paulo, «a distinguir – e portanto a fazer – o melhor», a fim de que sejamos
«sinceros e irrepreensíveis para o dia de Cristo» (Fil. 1, 10).
2 – O Evangelho descreve, nítida e
claramente, a posição do cristão perante a autoridade civil. A questão
insidiosa, se é ou não lícito pagar o tributo a César, oferece a Jesus a
ocasião de resolver o problema das relações entre os deveres civis e os religiosos.
Pede que Lhe apresentem uma moeda e pergunta: «De quem é esta imagem e esta
inscrição?» «De César», responderam-Lhe. E Jesus replica: «Dai pois a César o
que é de César e a Deus o que é de Deus».
Não há oposição entre os direitos do
poder político e os de Deus, porque «não haveria poder algum se não fosse dado
do alto» (cfr. Jo. 19, 11): a autoridade política legitimamente constituída
provém de Deus e há de ser respeitada como um reflexo da autoridade divina. Por
isso, todo o cristão está obrigado a obedecer à autoridade política, desde que
esta não ordene coisas contrárias à lei de Deus, porque neste caso já não
representaria a autoridade divina, e então, como diz S. Pedro, «deve-se
obedecer antes a Deus que aos homens» (At. 5, 29).
Não pensemos que, tendo-nos dedicado
ao apostolado ou consagrado a obras religiosas, estamos por isso dispensados
dos deveres civis; pelo contrário, também neste campo os católicos deveriam ser
os primeiros. Os imperadores, os reis, os homens que se consagraram à política
ou às armas e que a Igreja venera como santos, dizem-nos que a santidade é
possível em toda a parte e que se pode alcançar mesmo estando ao serviço do
Estado, pois nesse caso também se trata de servir a Deus nas criaturas.
Ordenando-nos que se dê a César o que
é de César, Jesus ensina-nos a dar ao Estado tudo quanto lhe pertence, tudo o
que se refere à ordem e ao bem público temporal. Mas Jesus não fica por aqui e
acrescenta: «dai a Deus o que é de Deus». Se o denário que tem a efígie de
César deve ser restituído a César, muito mais a nossa alma, que traz em si a
imagem de Deus, deve ser restituída a Deus. Afirmar que devemos dar a alma a
Deus, é dizer que Lhe devemos dar tudo, porque efetivamente tudo recebemos
dEle. Neste sentido, cumprir os nossos deveres para com o próximo, para com os
iguais ou inferiores, para com os superiores eclesiásticos ou civis, é cumprir
os nossos deveres para com Deus, é restituir-Lhe tudo quanto nos deu,
submetendo a nossa liberdade à Sua lei e pondo a nossa vontade ao serviço da
Sua.
MADALENA, Padre Gabriel de Santa
Maria. Intimidade Divina. 2. ed.
Porto: Edições Carmelitanas, 1967, p. 1323-1326.

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